Produtores reclamam: crédito de custeio ainda não chegou
Vânia Casado
De Curitiba
Os produtores rurais estão reclamando que o crédito rural anunciado pelo governo ao Paraná ainda não está disponível nas agências do Banco do Brasil. Foi anunciado um crédito de R$ 300 milhões para o Paraná nessa primeira fase do custeio, mas a totalidade desses recursos não chegou nas agências, informou Jorge Proença, assessor econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep).
As reclamações só não são maiores porque ainda não está havendo grande procura de crédito para o plantio, já que as condições de solo se normalizaram somente agora. Proença prevê que para a semana que vem, deve aumentar a procura de crédito para o custeio no banco, porque o produtor precisa aproveitar as condições favoráveis para o plantio. Aí será uma correria, acredita.
Segundo Proença, o produtor deve evitar a antecipação das compras de insumos no mercado e pagar com cheque especial ou com empréstimos a juros de mercado, na certeza que o crédito rural será liberado para cobrir essa conta. Ele alertou que o governo nunca libera a totalidade dos recursos anunciados e provavelmente muitos produtores não terão acesso ao crédito. Daí quem se endividar no mercado pagando juros de até 10% ao mês, não terá rentabilidade suficiente para quitar o débito, aumentando sua dívida depois, avisou.
Para a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), a preocupação é com relação às exigências excessivas da instituição financeira aos produtores, disse o assessor econômico Flavio Turra. Ele avisou que se algum produtor que tem dívida securitizada for barrado no crédito rural por essa pendência, deve procurar seus direitos junto à assessorias de sindicatos rurais e cooperativas.
Segundo Turra, a edição da Medida Provisória (MP) 1918 permitiu a prorrogação da quitação das dívidas dos agricultores com prazo de carência de dois anos para os agricultores que devem até R$ 10 mil reais. Para os devedores entre R$ 10 mil e R$ 200 mil, o devedor pode pagar apenas 20% do valor da prestação e transferir o restante para o final do prazo previsto na securitização. Portanto, os produtores não estão inadimplentes e por isso devem receber o crédito, interpreta. Turra também concorda que se os produtores comprarem os insumos com empréstimos feitos com as taxas de mercado, certamente não terão como quitar o valor da dívida com o faturamento da safra.





