Brasília - Representantes do setor sementeiro pediram ao relator da Medida Provisória 131, Paulo Pimenta (PT-RS), que inclua no texto permissão para multiplicação de variedades transgênicas desenvolvidas por empresas nacionais, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico (Coodetec).
''Pedimos autorização para multiplicação de materiais nacionais que contenham o gene Roundup Ready, da Monsanto, adaptados às regiões brasileiras. Embrapa e Coodetec têm mais de 40 cultivares desenvolvidos, mas falta o registro do Ministério da Agricultura'', afirmou o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem), José Américo Pierre Rodrigues.
Representantes da Abrasem estiveram ontem com o ministro Roberto Rodrigues. O diretor-executivo tem conversado com parlamentares sobre o texto da MP 131, que liberou o plantio de sementes transgênicas na safra 2003/04.
Ao ministro Rodrigues, os representantes da Abrasem lembraram que ''a regularização do plantio de uma safra ilegal prejudica as empresas de sementes legalizadas e a pesquisa''. Na comercialização de sementes legalizadas, uma parte do dinheiro volta para as empresas que desenvolveram a tecnologia, como forma de incentivo à pesquisa. ''Sem venda legalizada, a pesquisa com sementes pode parar'', completou Rodrigues, da Abrasem. Ele calculou que Embrapa e Coodetec detêm 70% do mercado de semente de soja. Ao ministro, o grupo lembrou que o contrabando de sementes de soja transgênica da Argentina reduziu em 80% a comercialização legal no Rio Grande do Sul.
''No Rio Grande do Sul, a situação das indústrias é pré-falimentar. Entre 1998 e 2003, a comercialização caiu 80%'', advertiu. O setor de sementes movimenta cerca de US$ 1 bilhão ao ano.

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