Produtores querem seguro contra gripe do frango
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domingo, 16 de janeiro de 2005
Agência Brasil 
São Paulo - ''Os 2,5 bilhões de toneladas (de frango) que nós exportamos podem desaparecer da noite para o dia, se a gente tiver um problema sanitário no Brasil. Esse é o grande risco'' afirma o presidente da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frango (Abef) Júlio Cardoso.
Para evitar um colapso do setor, a Abef e outras entidades propuseram ao governo duas medidas: a regionalização da fiscalização sanitária, e a criação de um seguro para o produtor que tenha sua criação infectada.
''O Brasil é muito grande. O exemplo é o caso da Rússia, um caso de (febre) aftosa na Amazônia levou ao fechamento do mercado (russo) para o Brasil'', exemplifica Cardoso, para justificar a necessidade da regionalização dos cuidados fitossanitários. Segundo a proposta, alguns Estados seriam considerados como zonas isoladas. Se for detectado um caso de gripe do frango, por exemplo, só o Estado infectado ficaria impedido de exportar.
A proposta de seguro, segundo o presidente da Abef, ainda não está concluída. O seguro garantiria um receita ao criador que tiver de sacrificar as suas aves eventualmente infectadas. Segundo Cardoso ''todo a cadeia de produção deve contribuir com o seguro'', mas ''o valor ainda não está acertado''.
De acordo com o coordenador do Programa Nacional de Sanidade Avícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Egon Vieira da Silva, o governo está estudando a proposta dos produtores, e é, em princípio, favorável a elas. ''Os estudos mostram que países nos quais um seguro é criado, diminui o número de produtores que não notificam (o governo) quando suas aves são infectadas'', complementa Vieira da Silva.
Ele também defendeu que o seguro seja privado para ter maior agilidade na hora do pagamento. ''Há na legislação a previsão de pagamento de indenização para o produtor que tenha que sacrificar seus animais, mas esse processo pode demorar até seis anos'', explica.
Preocupações - Os novos casos de Gripe do Frango registrados nos últimos 30 dias, tanto em seres humanos quanto em aves, em países como Vietnã e Japão, aumentaram as preocupações do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) e dos exportadores de aves, com a possibilidade de que o Brasil seja atingido pela doença.
Em 2003 o País passou a ser o maior exportador mundial de frango em volume, e em 2004 tornou-se também o maior exportador em faturamento. No ano passado, o Brasil comercializou 2.469 mil toneladas e US$ 2,59 bilhões só de carne de frango, o que representou 2,7% do total das exportações. A Tailândia, que era um dos quatro maiores exportadores, perdeu boa parte de suas receitas, por seu plantel ter contraído a Gripe do Frango, ou Influenza Aviária.
''Com epidemias nunca se trabalha com risco zero'', explica Silva. O foco do programa são a Influenza Aviária (conhecida com ''Gripe do Frango'') e a Doença de New Castle, que matam rapidamente as aves infectadas. Todos os estudos, segundo o coordenador do Mapa, têm mostrado que a produção industrial brasileira de aves está livre dessas duas doenças. No ano que vem, o programa deve também começar a trabalhar com a salmonela.


