Aproximar o produtor do consumidor, eis o objetivo dos cafeicultotes que se reuniram ontem, em Londrina, com representantes de cooperativas, da Emater e do Iapar. A reunião foi uma espécie de preparativo para o 10º Encontro de Café do Paraná, que será realizado no próximo dia 10 de abril no Parque Governador Ney Braga.
Segundo o presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores (Apac), Ricardo Strenger, para que o Paraná se reafirme como expoente nacional no produção cafeeira ‘‘é necessário verticalizar a produção para agregar valor ao produto, unir os produtores e aperferiçoar os mecanismos de comercialização do caf钒.
Apesar de 2001 ter presenciado um número recorde de exportações – o País vendeu aproximadamente 23,4 milhões de sacas de café –, Strenger observa que o preço atual do produto é o menor em toda a sua história. ‘‘Vendemos hoje um saco por R$ 100’’. Em 2002, ainda se recuperando da crise provocada pela geada do ano passado, calcula-se que serão vendidos 1,6 milhão de sacos de café, totalizando um montante de R$ 160 milhões para os cerca de 19 mil produtores parananenses.
Outro fator a ser discutido no 10º Encontro de Café do Paraná será o percentual de lucro destinado aos produtores. ‘‘Hoje somente 9% de toda a receita mundial do café fica com os produtores. Algo em torno de R$ 5,4 bilhões. Precisamos mudar esse cenário, pois o mercado privilegia apenas os setores industriais’’.
Uma possibilidade de aproximar os produtores dos consumidores seria a aprovação de um projeto de lei apresentado em 2001 na Assembléia Legislativa do Paraná que pretende identificar nas embalagens de café a matéria-prima utilizada nos produtos. Strenger avalia que o café robusta (de pior qualidade) acaba sendo privilegiado em relação ao arábica (o melhor, mais comum no Estado), já que ele é vendido por um preço bem menor: R$ 50 por saco. O consumidor tem direito de saber as qualidades do produto que está comprando, pondera o cafeicultor.

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