Curitiba - Agricultores do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul participaram ontem do terceiro encontro regional de debates do Plano Nacional de Política Agrícola para a safra 2004/2005. Eles querem a abertura de créditos agrícolas no valor de R$ 50 bilhões para financiamento da produção prevista de até 20% superior à safra anterior. No entanto, o governo federal ainda não tem uma estimativa dos recursos que serão colocados à disposição dos agricultores.
No ano passado, enquanto o setor pedia um montante de R$ 42 bilhões, o governo federal anunciava investimentos da ordem de R$ 32,5 bilhões. Deste total, apenas R$ 20,5 bilhões foram aplicados até agora. ''Temos muita dificuldade para aportar recursos que possam cobrir os custos de produção'', afirmou o vice-presidente do Conselho Nacional de Agricultura (CNA), Carlos Sperotto.
De acordo com levantamentos do Ministério da Agricultura, nos últimos três anos, a área plantada no Brasil cresceu em nove milhões de hectares depois de dez anos de estagnação. A produção passou de 90 para 130 milhões de toneladas. E poderá crescer ainda mais. De acordo com o secretário nacional de política agrícola, Ivan Wedeken, estão sendo estudadas alternativas para o financiamento do agronegócios.
Uma das alternativas é a criação da Letra de Crédito Agrícola (LCA). O projeto, ainda em fase embrionária, garantiria ao produtor a emissão de títulos para a captação de recursos no exterior. Outra alternativa é a implantação do Fundo de Investimento do Agronegócio, que captaria recursos aplicados no mercado financeiro para direcionar às cooperativas a agroindústrias.
Caso sejam viabilizadas as propostas, elas serão divulgadas no final de maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outra reivindicação é a modernização da agropecuária. ''Hoje faltam investimentos em infra-estrutura, principalmente em armazéns. Isso ajudaria a evitar filas de caminhões no Porto de Paranaguá'', argumentou o diretor-presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Nelson Costa.
O governo federal já anunciou que deverá aplicar outros R$ 68 milhões na sanidade animal, para garantir doenças longe dos rebanhos brasileiros. No ano passado, o Brasil foi o primeiro exportador de carne bovina e o segundo de carne de frango. Foram exportados US$ 1,5 bilhão em carne bovina e US$ 1,8 bilhão em carne de frango. ''Não temos o mal da vaca louca ou a gripe do frango. Nossa carne é de qualidade e está alcançando mercados'', afirmou Wedeken.

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