Curitiba - Cooperativas e indústrias de lacticíneos do Paraná podem iniciar a implantação do preço de referência antecipado do leite para os produtores a partir de junho. A proposta foi defendida por representantes da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) na reunião de ontem da CPI do leite. O diretor Nelson Costa disse que a medida pode ser implantada como um projeto-piloto. ‘‘Nada nos impede de iniciarmos isso imediatamente’’, afirmou ele. A taxa de referência para os pequenos produtores de leite é uma reivindicação antiga.
Atualmente, os produtores têm que esperar entre 20 e 45 dias para saber o preço do litro do leite repassado para os fornecedores. ‘‘O produtor não tem idéia se terá lucro ou prejuízo. Não sabe se poderá produzir mais ou terá que diminuir sua produção. Isso tem levado muitos a deixarem o setor e partir para tentar oportunidades de emprego nas grandes cidades’’, afirmou o deputado estadual Cezar Silvestri (PPS), relator da CPI do Leite.
Algumas indústrias começaram a implantar este ano a antecipação do preço do litro do leite e apresentaram seus resultados na reunião de ontem. É o caso da Líder Alimentos. O advogado Fortunato Bérgamo contou que a experiência iniciou em fevereiro. A fixação dos preços tem sido mensal e são feitos contratos anuais com os produtores para evitar que eles migrem para outras empresas.
‘‘É uma política que tem dado resultado. O produtor sabe o que fazer com isso para ter menor custo e maior rentabilidade’, disse Bérgamo. A Universidade Estadual de Maringá (UEM) e a Empresa Paranaense de Assistência Técnica Rural auxiliam no amparo ao aperfeiçoamento da produção leiteira.
Na Batávia, os preços são fixados através de um contrato anual com os produtores. Eles variam para o leite in natura de acordo com as ocilações do mercado. No caso da compra para uso na fabricação de lacticínios, os preços são pré-fixados. A Lacto está fazendo a experiência de pré-fixação do preço do leite em Dois Vizinhos, onde o produtor recebeu R$ 0,28 por litro nos meses de março e abril. O produtor Francisco Silva, da Frente Sul, disse que a experiência está dando certo. ‘‘Os preços são fixados para 60 dias e a gente sabe com antecedência quanto vai ganhar. Isso ajuda’’, disse ele.
Para que a experiência seja estendida para todas as indústrias e cooperativas do Paraná, foi agendada uma reunião para definir o assunto entre as comissões paritárias do Sindicato da Indústria do Leite do Paraná (Sindileite) e da Federação dos Agricultores do Estado do Paraná (Faep). A reunião será no dia 29 de maio.

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