Os produtores de hortaliças e verduras que entregam produtos na Ceasa, em Curitiba, estão ansiosos para que a obrigatoriedade da padronização das embalagens dos produtos ocorra o mais rápido possível. Prevista para vigorar a partir de 1999, a padronização conforme as especificações do Ministério da Agricultura, vai beneficiar quem já trabalha dentro das regras exigidas e sofre as consequências da concorrência desleal, disse o presidente da Associação de Produtores da Ceasa-PR, Paulo Ricardo Danova.
A necessidade de ampliar a padronização das embalagens e classificação dos produtores foram os temas abordados durante o Encontro de Horticultura, realizado ontem, em Curitiba, com a participação do secretário da Agricultura, Antônio Leonel Poloni, diretoria do Sebrae, Emater e Ceasa. A adoção dessas técnicas, no entanto, implicam numa reversão do agricultor paranaense que tem um imenso nicho a ser explorado, já que o estado importa 70% das frutas que consome, 40% das verduras e 80% das flores existentes no comercado, diagnosticou o secretário da Agricultura.
O drama da falta de padronização das embalagens e seleção dos produtos está prejudicando quem trabalha corretamente, salientou Danova. Segundo ele, dos cerca de 3.000 produtores de hortifrutigranjeiros que entregam produtos na Ceasa, pelo menos 50% trabalham com caixaria inadequada. Ele citou como exemplo de prejuízo e concorrência desleal a caixaria de tomate. A especificação do Ministério da Agricultura determina que a caixa deve conter 24 quilos do produto.
Ocorre que há uma variedade de dimensões de caixas no mercado e o preço oscila conforme o volume de produto embalado. ‘‘ Como o consumidor procura preço, normalmente acaba comprando o produto mais barato, sem se dar conta que também está levando um volume menor ’’, explicou Danova. O produtor admite que esta mudança de conceito esbarra no bolso porque a caixaria chega a representar 30% do valor da comercialização do produto, quando está em período de baixa. ‘‘ Mas se todos adotarem as mesmas técnicas, o produto do Paraná será valorizado e teremos condições para exportar para outros estados e países’’, afirmou.
‘‘É justamente esta credibilidade do mercado que precisamos atingir porque não existe mais espaço para amadores’’, destacou Poloni. Para isso, ele descartou as políticas de paternalismos e subsídios adotadas no passado, que não resultaram no desenvolvimento sustentado do setor agrícola. Segundo o secretário o caminho que deve ser trilhado é o da educação e profissionalização. ‘‘ Estas são as novas ferramentas com as quais governo e agricultores devem trabalhar daqui para frente’’, previu.
Poloni incentivou os produtores de hortaliças, verduras e frutas a participar de novas fases da cadeia produtiva para incrementarem seus ganhos. Quem até agora tinha como principal atividade o plantio, colheita e venda desses produtos, agora não consegue mais sobreviver como antes, sem agregar mais uma fase para elevar a rentabilidade, alertou. Sugeriu a seleção dos produtos na propriedade e transformação do que for descartado para venda ‘‘in natura’’.Mauro FrassonEncontro de Horticultores ontem, em Curitiba: nova imagem para os vegetaisVânia Casado

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