A Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine), entidade que reúne 42 empresas do setor, incluindo multinacionais como a El Paso, Enron e British Gas, quer mudanças nas regras de comercialização do insumo, para garantir o ingresso de investimentos energéticos no País. O presidente da entidade, Eric Westberg, afirmou ontem que foram feitas várias sugestões à Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) para tornar viáveis contratos de fornecimento de energia de longo prazo, considerados fundamentais para obter financiamentos para construção de usinas térmicas e hidrelétricas.
‘‘Existem barreiras institucionais que não foram resolvidas’’, avisou Westberg. ‘‘A saída da crise de energia é o fortalecimento do mercado.’’
Os produtores independentes, ou seja, aqueles que não estão ligados às concessionárias de distribuição e geração, incluem ainda grupos nacionais como o Rede, o Itaú e a Construtora Queiroz Galvão. Ao todo, disse Westberg, as associadas à Apine são responsáveis pela geração de mais de 120.000 megawatts de energia em todo mundo. ‘‘Essa crise seguramente vai acelerar a superação desses obstáculos’’, disse.
O principal problema do setor, que impede o incremento dos investimentos, é a dificuldade de as empresas geradoras conseguirem obter contratos de longo prazo com as distribuidoras. Essa é uma das exigências dos bancos para financiar as obras de usinas. Já as distribuidoras de energia temem assinar esses contratos, segundo a Apine, em razão da ‘‘tradicional incerteza de previsão do mercado brasileiro’’. ‘‘Isso redundou em grande dificuldade para expansão do parque gerador nacional, causando progressivo desequilíbrio entre oferta e demanda’’, disse o documento da Apine entregue ao governo. (AE)

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