Produtores querem fechar supermercados
Vânia Casado
De Curitiba
Os produtores de hortifrutigranjeiros da região metropolitana de Curitiba estão dispostos a fechar os supermercados das grandes redes como protesto ao que eles chamam de dumping das hortaliças. O protesto é dirigido ao Sonae, Carrefour, Wal-Mart e Extra, que fazem promoções com hortifrutigranjeiros, vendidos abaixo do custo de produção, para mascarar as altas nos preços dos produtos industrializados, acusou o presidente da Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros da região metropolitana de Curitiba (Aprotiba), Paulo Danova.
Os produtores querem ocupar os estacionamentos dos supermercados para vender seus produtos ou dar de graça. Danova esteve ontem na Assembléia Legislativa, em reunião da Comissão de Defesa do Consumidor, presidida pelo deputado Ademar Traiano (PTB-PR). Além de Danova, esteve prestando depoimento à comissão o presidente da Ceasa-PR, José Lupion Neto, o diretor da Associação Paranaense de Fornecedores de Supermercados (Assosuper), Péricles Salazar, e o secretário municipal de Abastecimento e Agricultura, Delmo de Almeida Filho.
São 3.000 produtores (cerca de 13 mil famílias) obrigados a vender seus produtos abaixo do custo. Já passamos da situação de falência, resumiu.
Danova citou como exemplo o alface, que tem um custo de produção de R$ 0,12 incluindo o transporte e a embalagem. Só que os supermercados oferecem apenas R$ 0,05 por pé de alface. Como vamos continuar mantendo esses preços se só o preço da muda sai por R$ 0,01 cada uma, reagiu. Além disso de cada 100 mudas não são todas que vingam, acrescentou. O produtor destaca que não é à toa que Curitiba tem a cesta mais cara do país. Os supermercados usam os hortifrutigranjeiros como iscas de consumo, e o consumidor acaba pagando mais caro na compra de outros produtos, afirmou. Um levantamento feito com redes locais de supermercados que estão vendendo os produtos industrializados 20% mais baratos que as grandes redes.
O presidente da Ceasa culpou o dumping das hortaliças como responsável pela derrubada de preços na central atacadista de Curitiba. Ele informou que em janeiro desse ano foram comercializados 56 mil t de produtos. Em novembro, foram comercializados 68 mil t, o que representa um acréscimo de 20% nas vendas. Ocorre que nos dois meses o faturamento foi o mesmo, de R$ 34 milhões, ou seja houve uma queda nos preços, declarou. Lupion apresentou outro levantamento da Ceasa que indica a queda de preço médio de todos os produtos comercializados na central atacadista. O preço médio caiu de R$ 0,59 o quilo para R$ 0,50 o quilo em 99.





