Produtores querem definição em 10 dias
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terça-feira, 09 de dezembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
Os produtores integrados do frigorífico Chapecó no Paraná e Santa Catarina promotem paralisar suas atividades, caso as negociações de venda do frigorífico não evoluam no prazo máximo de 10 dias. São 1.500 produtores integrados em Santa Catarina e 500 produtores no Paraná que somados aos funcionários dos frigoríficos ultrapassam 2.500 famílias envolvidas com a possibilidade de paralisação.
Os produtores integrados estão irritados com a morosidade do processo de venda da Chapecó ao grupo argentino Magri e exigem uma solução imediata. Outra solução que será apresentada ao comitê dos bancos credores é que os próprios produtores integrados assumam o controle de todo o complexo frigorífico. Para isso, os produtores formariam uma cooperativa que teria o apoio do Banestado com uma linha de crédito no valor de R$ 6 a R$ 7 milhões para o capital de giro necessário a reativar a integração. Os recursos seriam aplicados na aquisição de pintinhos de um dia, ração e insumos para os produtores integrados.
O grupo argentino Magri pediu um prazo de 60 dias, que se encerra do final de dezembro para as negociações. Ocorre que elas estão paralisadas desde que o IFC - International Financial Corporation - braço privado do Banco Mundial não deu seu parecer às bases do acordo a ser firmado com os bancos credores. A vistoria do grupo já foi feita e agora falta os bancos aceitarem as bases do acordo, que inclui a reestruturação das dívidas diante do compromisso de reativar imediatamente todas as atividades do frigorífico. E ainda de elevar imediatamente a capacidade instalada de 110 mil abates por dia para 150.000 abates.
Se as negociações não deslancharem o presidente da Associação dos Avicultores do Paraná, José Lino Bergamin, promote fazer barulho. Segundo ele, os produtores querem chamar a atenção dos governos estadual e federal para a situação dramática que estão passando e dos prejuízos que estão arcando com a falta de produção. O frigorífico está trabalhando com 50% da capacidade instalada, abatendo 55.000 aves por dia gerando perda de receita para os produtores, comércio e prefeituras da região oeste, que também foram obrigados a reduzir as atividades. Enquanto a capacidade instalada dos aviários é de alojar 6 lotes por ano, atualmente a produção está restrita a 3,7 lotes anuais, pouco mais de 50% da capacidade, o que aumentam os custos de produção.
Para se ter uma idéia, os produtores integrados de Cascavel estão alojando os pintinhos com um intervalo de 34 dias, quando o normal seria 10 dias para limpeza e desinfecção dos aviários. Além disso, depois da entrega do frango para abate aguardam um período de mais 45 dias para receber. Os prejuízos dos produtores estão se estendendo para as prefeituras. Em Três Barras do Paraná, onde 68 aviários foram desativados a situação é de desespero, afirmou Bergamin. Em Capitão Leônidas Marques 60% do ICMS gerado é oriundo da avicultura, sendo que qualquer abalo nesse setor afeta todo o município.
Segundo levantamento feito pela Associação Regional dos Avicultores do Oeste e Sudoeste do Paraná, o frigorífico tem um faturamento anual de R$ 70 milhões, com geração de impostos superior a R$ 6,5 milhões. Cerca de 8.500 pessoas que se beneficiam diretamente do abatedouro seriam atingidas pelo fechamento da unidade industrial de Cascavel, que gera 800 empregos diretos nas unidades de abate, 900 empregos diretos na área rural de produção e 200 empregos indiretos.


