Produtores querem convencer Sonae a manter os descontos
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domingo, 11 de abril de 1999
Carmem Murara 
Agricultores que vendem produtos na Central de Abastecimento de Curitiba (Ceasa) vão se reunir hoje, às 10h30, na Assembléia Legislativa, para discutir o impasse criado entre o grupo português Sonae - dono dos supermercados Mercadorama, Real, Coletão e Big - e os fornecedores. Eles querem se mobilizar para convencer a Sonae a manter o atual desconto de 3% no fornecimento de mercadorias. A Sonae concordou em rever os contratos, mas ainda não definiu quais critérios vai adotar.
O impasse entre atacadistas e as redes de supermercados surgiu há duas semanas, quando a Sonae forçou a modificação dos contratos de fornecimento, obrigando os atacadistas a dar descontos de 17,5% para o varejo. A polêmica mobilizou lideranças políticas locais e nacionais.
Nesta quinta-feira, um grupo de deputados federais, um representante do Ministério da Justiça e os presidentes das associações paranaense e brasileira de supermercados estarão em Curitiba para uma reunião com a diretoria da Sonae, inclusive com o presidente da empresa, José Baeta Tomás. A comissão parlamentar foi formada pelo deputado Luciano Pizzatto (PFL-PR) e fazem parte dela os deputados Flávio Derzy, Ben Hur e Celso Russomano.
Os deputados querem avaliar a atitude da Sonae e verificar a informação de que o grupo estaria monopolizando o mercado curitibano. Ao adquirir as redes Mercadorama e Coletão, a Sonae pode ter ultrapassado o limite de 25% de controle das vendas. Informações extra-oficiais dão conta de que a Sonae teria abocanhado 60% da fatia de vendas.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recebeu uma denúncia do Ministério Público sobre a formação de monopólio e tentativa de prática de dumping (puxar os preços para baixo). A decisão de investigar ou não a Sonae será dada num prazo de 20 dias.
A Sonae concordou em rediscutir os contratos com os fornecedores, na última quinta-feira, após uma reunião na sede da Federação das Indústrias do Estado do Paraná. Os casos começariam a ser analisados a partir de hoje pelo diretor comercial Vicente Dias, que ficou encarregado de negociar com os atacadistas.


