Produtores querem classificar fumo nos municípios
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segunda-feira, 30 de agosto de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os produtores de fumo do Paraná alegam que perdem no mínimo 30% da produção com o rebaixamento na classificação dos produtos, feitas pelas empresas que industrializam o produto. Para evitar a continuidade dos prejuízos, eles querem que a classificação da produção seja feita nos municípios, onde podem acompanhar o processo e não mais nos locais onde a indústria está sediada, que na maioria das vezes fica em outro Estado e dificulta o deslocamento do produtor.
Para isso, os agricultores vão pressionar os deputados federais para aprovação do projeto de lei de classificação do fumo, de autoria do deputado federal Adão Pretto (PT-RS), cujo relator é o deputado paranaense Assis Miguel do Couto. Esse projeto foi avaliado ontem, em audiência pública, na Assembléia Legislativa, em Curitiba. A próxima audiência deve ocorrer em Florianópolis (SC) antes do projeto ser votado, provavelmente em outubro, prevê o deputado.
O projeto do deputado Adão Pretto vai de encontro à reivindicação dos produtores, disse Mario Plefka, diretor de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep). Segundo Plefka, o produtor precisa ter a oportunidade de pegar sua produção de volta e vender para outro cliente, caso não concorde com a classificação feita pela empresa. ''Com a classificação feita há mais de 800 quilômetros de distância, não dá para o produtor do Paraná tomar esta decisão'', explicou.
Na audiência pública, os produtores reclamaram do excesso de classificação na produção de fumo, tendo 48 classes onde a produção pode ser enquadrada e no rebaixamento da classificação para produção de um mesmo lote.
Outra reivindicação dos produtores de fumo é a falta de sintonia entre o período de plantio de fumo e o período que as empresas abrem para negociar o preço, disse Plefka. Normalmente, os produtores iniciam o plantio em agosto e as empresas só reabrem as negociações em janeiro do ano seguinte, quando a produção está para ser colhida. Com isso, os produtores acabam aceitando o preço oferecido porque não têm para quem vender.
Para o relator do projeto, as audiências estão mostrando que os prejuízos são muito grandes e afetam diretamente os produtores,''os mais desprotegidos''. O sindicato que representa as empresas não participou da audiência pública.


