Salvador Se é possível dizer que há uma unanimidade no setor de algodão no país, ela pode ser definida por: aprovação de transgênicos para a cultura. Produtores presentes no 5º Congresso Brasileiro de Algodão, realizado nesta semana na Bahia, dizem que a falta de aprovação da tecnologia para a fibra ameaça a cotonicultura do Brasil.
O produtor Edio Brunetta afirma: se os transgênicos não forem aprovados no Brasil até a safra 2006/2007, haverá uma forte perda no plantio nacional da fibra. Ele pretende diminuir em 50% a área de plantio de algodão nessa safra 2005/2006, migrando para outras culturas.
Para o consultor Newton Roda, como a soja é a menina-dos-olhos da produção agrícola brasileira, a aprovação de transgenia nessa cultura é mais fácil. Ele avalia que, por não ser um produto que é ingerido, o debate sobre o algodão transgênico deveria ocorrer de forma mais fácil.
A vantagem do uso dos transgênicos, segundo seus defensores, é a redução de custos possibilitada pela menor aplicação de defensivos agrícolas em espécies mais resistentes a pragas. Na outra ponta, os grupos contrários a sua aprovação dizem que não há estudos comprobatórios da segurança dessas plantas modificadas.
Segundo João Carlos Jacobsen Rodrigues, presidente do Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão (Fundeagro), a cotonicultura brasileira apresenta alta competitividade no mercado externo, mas está sendo prejudicada por uma política fraca e pela questão ambiental no caso da liberação dos transgênicos.
''A aprovação do transgênico não é a solução definitiva para melhorar a competitividade da produção brasileira, mas uma importantíssima ferramenta para a consolidação do mercado brasileiro de algodão'', analisa.
Walter Horita, presidente da Associação Baiana de Produtores de Algodão, vai mais longe. ''Não é possível competir com países que já usam transgênicos (como EUA, Canadá e Argentina). O Brasil fica em séria desvantagem por não dispor desse recurso.''

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