Produtores protestam contra contribuição sindical rural
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segunda-feira, 05 de agosto de 2002
Rosane Henn<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Produtores rurais do município de Palmeira (45 km ao norte de Ponta Grossa) fecharam ontem a BR-277 por cerca de 30 minutos, para protestar contra a cobrança da Contribuição Sindical Rural. Após a manifestação na rodovia, os agricultores fizeram carreata no centro da cidade.
De acordo com o presidente da Sociedade Rural de Palmeira, Gilson Agottani, um dos organizadores, cerca de 600 produtores participaram do protesto. ''Foi um sucesso, tivemos 200 tratores e 150 veículos na carreata'', disse Agottani.
Segundo ele, o ato foi o primeiro no Estado e pretende servir de alerta contra a Contribuição Sindical Rural, cobrada anualmente de todos produtores. A taxa varia de acordo com o tamanho da propriedade e do valor declarado no Imposto Territorial Rural (ITR). Os valores arrecadados são repassados aos sindicatos rurais, à Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep), à Confederação Nacional de Agricultura (CNA) e ao Ministério do Trabalho.
Agottani reclama também da falta de transparência na aplicação dos recursos da contribuição e da sua utilização no meio rural. ''Não sabemos para onde vai esse dinheiro arrecadado e não vemos os benefícios sendo revertidos para nós'', reclama.
O assessor da presidência da Faep, Carlos de Albuquerque, afirma que o recolhimento do tributo está previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) desde 1997. Segundo ele, no Paraná a contribuição recolhida pelos produtores totaliza aproximadamente R$ 2 milhões. Segundo o assessor da Faep, o Estado tem cerca de 84 mil propriedades rurais.
Albuquerque critica o protesto dos agricultores de Palmeira. Na sua opinião, a falta de pagamento vai resultar em ações judiciais de cobrança, como já está ocorrendo com produtores que deixaram de recolher o tributo. Ele também reclama da inadimplência, que de acordo com seus cálculos está em 65%. ''Só recebemos 35% do total que deveriam ser arrecadados com o tributo no Estado'', comenta Albuquerque.


