Vânia Casado
Os produtores de fumo do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul querem reabrir as negociações com a indústria que mantém congelado o preço do produto há três anos. As Federações de trabalhadores dos três estados do Sul se recusam a participar de reunião para estabelecer regras para a comercialização da safra 98/99, marcada para o dia 19, enquanto não forem negociadas as medidas para safra 1997/1998.
Os produtores argumentam que o preço de R$ 2,00/kg, estabelecido há três anos, não cobre os custos. Segundo a Fetaep, os custos para os produtores foram elevados em 29,17% nesses três anos. Enquanto isso os produtores acusam a indústria de elevar seus lucros nas exportações. Sergio Gutierrez, da Fetaep, argumenta que após o plano Real, as exportações das indústrias de fumo cresceram e em 1997 foram elevadas em cerca de 30%,com receita que ultrapassou a US$ 1,1 bilhão.
No mercado interno, a situação também é favorável para as indústrias, com a elevação de 61,7% no preço dos cigarros após o plano Real, afirmou Gutierrez. A Fetaep desmistifica a alegação das indústrias de que o câmbio defasado prejudica as exportações. Isso porque, segundo a Fetaep, as indústrias fumageiras foram beneficiadas com a isenção de ICMS para as exportações, onde ganharam mais de US$ 100 milhões, sem repassar parte desse ganho aos produtores.

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