Produtores de leite, representantes de indústrias e sindicatos rurais iniciaram ontem na Confederação Nacional da Agricultura (CNA) um movimento para pressionar o governo a adotar medidas contra as importações subsidiadas de leite, que vêm prejudicando o setor e colocando em risco a saúde da população. Após denúncias feitas em agosto pela cadeia produtiva da pecuária leiteira, o governo já fechou oito empresas por irregularidades diversas, como prazo de validade vencido e rótulos falsos nos produtos.
O setor defende a obrigatoriedade de anuência prévia nas importações de lácteos e a compra do leite nacional para atender programas sociais, como algumas das medidas que podem ajudar a reverter o quadro atual de crise. De acordo com relato das lideranças regionais, os preços pagos ao produtor estão variando de R$ 0,17 a R$ 0,30 o litro para o leite das cotas das cooperativas e de R$ 0,06 a R$ 0,17 para o chamado leite em excesso, ou extra-cota. Em Luziânia (GO) as cooperativas estão pagando R$ 0,25 por 100 litros de leite de excesso, segundo informou o presidente da Comissão de Pecuária Leiteira da CNA, Paulo Bernardes.
O presidente da CNA, Antônio Ernesto de Salvo, disse que muitas cooperativas não estão nem aceitando de graça o leite em excesso. Ele defendeu a compra de leite nacional para atendimento aos programas sociais como forma de frear o desemprego no campo, pois 80% do leite hoje destinado à merenda escolar vêm de outros países.
O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, disse que cada liderança deve pressionar o prefeito da sua cidade a comprar o produto local, pois não cabe ao governo federal dizer de quem eles devem adquirir o leite. No final de agosto, a cadeia produtiva de leite encaminhou várias reivindicações ao governo para tentar reverter o quadro de crise, mas até agora nenhuma medida concreta foi adotada.

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