Produtores pressionam por crédito
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sexta-feira, 26 de setembro de 1997
Marccio W. Varella Maringá 
Marcos NegriniCerca de 500 produtores discutiram os problemas do soja, ontem, em FlorestaA carga de impostos e falta de crédito para custeio foram os principais temas debatidos ontem por cerca de 500 produtores de soja da região Noroeste do Estado. A reunião, promovida pela Emater e Cocamar e realizada no auditório do Clube Municipal de Floresta, discutiu também novas tecnologias para o setor, as possibilidades da próxima safra, controle biológico da soja e o fenômeno climático El Ni¤o.
O presidente da Federação da Agricultura da Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, criticou a demora do governo para liberar crédito de custeio para médios e grandes produtores. A agricultura paranaense precisa com urgência de R$ 200 milhões, e até o final do primeiro trimestre de 1998 vai precisar de R$ 700 milhões.
A esperança dos agricultores, segundo Meneguette, é a reunião do Conselho Monetário Nacional, no próximo dia 30, que deverá regulamentar o recálculo da prorrogação da primeira parcela da securitização das dívidas agrícolas. Vamos ver se o Conselho faz também uma reavaliação das garantias dos agricultores junto ao Banco do Brasil. Conheço gente que emprestou R$ 60 mil com garantia de R$ 180 mil. Uma readequação poderia transferir um pouco dessa garantia para os bancos privados, que têm dinheiro. O Banco do Brasil não tem, afirmou Meneguette.
Aos produtores, o presidente da Faep advertiu sobre a migração do soja para o Centro-Oeste e Norte do país, com boa produtividade e custo de transporte bem menor: O escoamento do soja dessas regiões será feito pelos rios Madeira, Amazonas, Araguaia e Tocantins, além da ferrovia de Carajás. O produto será embarcado pelo Porto da Ponta da Madeira, no Maranhão, com a metade do custo do Porto de Paranaguá, e pelo Porto de Tubarão, no Espírito Santos. Esses dois portos conseguem embarcar juntos um navio com 350 mil toneladas. De Paranaguá, o navio sai com no máximo 70 mil toneladas.
Ele criticou a administração federal dos portos, dizendo que até hoje o governo não conseguiu implantar plenamente a Lei dos Portos, destinada a eliminar o corporativismo dos portuários. Meneguette criticou também a abertura do mercado, feita de forma inconsequente, deixando os produtores agrícolas à mercê da importação com alíquotas reduzidas. Algumas delas, como o algodão, chegaram a ser zeradas.
Este erro, continuou Meneguette, foi agravado com a falta de apoio do governo à comercialização de nossos produtos em 1995, fazendo com que o setor se descapitalizasse.
O presidente da Faep fez cinco sugestões ao governo que poderão melhorar a situação agrícola: eliminar os efeitos da defasagem cambial, que torna barata a importação e desinteressante a exportação; impor taxa compensatória às importações com subsídios na origem; eliminar a carga tributária sobre a agropecuária, como fazem os países desenvolvidos; melhorar a infra-estrutura e reduzir o Custo Brasil; e impedir a violência das invasões e restabelecer o império da lei e da paz no campo.
Meneguette participou anteontem da reunião no Palácio Iguaçu, em Curitiba, que criou comissão especial para resolver o problema dos sem-terra. Ele disse que na próxima terça-feira o MST dará uma resposta final ao governo sobre as sugestões apresentadas pelo Incra. Entre 1987 e 1995 foram registradas 170 invasões no Paraná. No Governo Jaime Lerner, foram registradas apenas 95. O único governo que cumpriu todas as reintegrações de posse foi o do Mário Pereira. Hoje nós temos ainda 50 ordens judiciais de reintegração para serem cumpridas.


