Brasília - Cerca de 15 mil produtores rurais de vários estados brasileiros fizeram ontem uma manifestação em frente ao Congresso Nacional para pressionar a aprovação da reforma do Código Florestal, que está em discussão na Câmara dos Deputados. Representantes do agronegócio defendem o texto apresentado pelo relator da proposta, o deputado Aldo Rebello (PCdoB- SP).
O projeto de lei foi aprovado no ano passado em uma comissão especial na Câmara. Polêmico, o texto foi alvo de contestações de ambientalistas, da comunidade científica e de movimentos sociais ligados à área rural.
Entre as propostas de Rebello está a desobrigação da Reserva Legal de 20% as propriedades com até quatro módulos fiscais (média de 72 hectares no Paraná); mas a mata existente não poderá ser suprimida. Além disso, o deputado propõe que a mata ciliar para rios de até cinco metros de largura caia de 30 metros por margem para 15 metros. E pede que as áreas de várzeas, encostas e topo de morros onde se pratica agropecuária há anos sejam mantidas com apresentação de projeto técnico.
Para a pequena produtora de Mato Grosso do Sul, Maria Andréia, o agricultor rural é considerado o ''grande vilão'' pelos ambientalistas. ''Se a nova lei for aprovada quem já desmatou vai produzir em cima do que já tem, na área de 20% de reserva legal, e com isso não vai prejudicar o meio ambiente como eles estão dizendo e vai favorecer a todo mundo'', disse. ''Os maiores ambientalistas do país são os agricultores'', completou o deputado Vilson Covatti (PP-RS), também presente na manifestação.
Segundo a senadora e presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu, a situação de insegurança jurídica prejudica as atividades no campo. Por isso, há a necessidade de regularização das áreas de plantio. ''Os produtores podem produzir mais alimentos sem que seja preciso ocupar novas áreas, desde que a legislação ambiental seja modernizada'', declarou.
Para o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, que participou da manifestação, o parlamentar que não votar a favor da proposta relatada por Rebello será considerado traidor.
A mobilização durou o dia inteiro. O ponto alto aconteceu no começo da tarde, quando as alterações no Código Florestal estavam sendo discutidas em audiência pública na Comissão de Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional. Logo depois da audiência, os produtores deram um 'abraço simbólico' no Congresso Nacional.

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