Curitiba - Um estudo conjunto elaborado por técnicos da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) revela que os produtores de soja do Paraná podem perder até R$ 1,6 bilhão este ano se os prêmios negativos pagos para a soja exportada pelo Porto de Paranaguá forem mantidos.
Essa perda representa que o produtor vai deixar de receber mais de 38% do Valor Bruto de Produção (VBP) previsto para a soja. No último levantamento do VBP, de 2002, a comercialização do produto rendeu R$ 4,2 bilhões. Com o prêmio de exportação negativo, dificilmente o produtor vai conseguir embolsar boa parte da renda obtida com a venda da produção.
O prêmio pago pela soja exportada em Paranaguá é de US$ 1,30 por bushel (medida de soja), abaixo da cotação de Chicago, o que corresponde a uma perda de US$ 47,70 por tonelada. O prêmio é considerado alto e representa mais de dez vezes acima do prêmio tradicionalmente pago no porto que era de aproximadamente US$ 0,10 por bushel.
Entre os fatores para o encarecimento do prêmio, o assessor econômico da Faep, Carlos Augusto Albuquerque, apontou os novos procedimentos adotados no Porto de Paranaguá, que atrasam os embarques, o aumento dos fretes marítimos e a polêmica dos transgênicos. O prêmio e outras taxas como transportes rodoviário e marítimo, armazenagem e pedágio, entre outros custos são descontados do preço de embarque e o que sobra é o que fica para o produtor.
De acordo com os autores do estudo, economistas Gilda Bozza, da Faep, e Robson MafioIetti, da Ocepar, os prêmios pagos pela exportação de soja no Porto de Paranaguá sempre foram melhores que os prêmios pagos nos portos do Rio Grande (RS) e da Argentina, ao contrário do que ocorre atualmente. Segundo eles, o prêmio negativo traduz a insegurança das tradings e cooperativas quanto à eficiência do Porto de Paranaguá, entre outros fatores.
Para a assessora da Faep, Gilda Bozza, se o prêmio negativo não for revertido rapidamente este ano os produtores vão presenciar uma das maiores transferências de riqueza para os países desenvolvidos.
O levantamento aponta ainda que em decorrência da formação de filas de navios à espera de embarque no porto, a demurrage (custo diário da estadia de navio) passou de US$ 10 mil para US$ 30 mil por dia em Paranaguá.
O superintendente do Porto de Paranaguá, Eduardo Requião, disse que o aumento do prêmio não está sendo provocado pelo porto. Segundo ele, o prêmio é problema das tradings e exportadores que devem se reorganizar para se adaptarem aos novos procedimentos estabelecidos no porto. Em relação à fila, Eduardo disse que ela representa maior interesse dos importadores internacionais que estão enviando navios para comprar a soja paranaense.

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