Os paranaenses são os principais de feijão, com cerca de um quinto do total nacional
Os paranaenses são os principais de feijão, com cerca de um quinto do total nacional | Foto: Arquivo Folha

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina (DEM-MS) anunciou no último sábado (11), em missão comercial no Japão, que fechou acordo com o México para abrir o país norte-americano para o arroz brasileiro e, em contrapartida, permitir a importação de feijão mexicano. O acordo, selado com o secretário da Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, Victor M.Villalobos, foi durante reunião de representantes do G20, na cidade japonesa de Niigata, e deve fazer com que os feijicultores paranaenses peçam ao governo para também ganhar acesso ao mercado daquela nação.

O anúncio pegou dirigentes de entidades ligadas à cultura de surpresa, por servir como contrapartida à negociação para o arroz sem que fossem consultados. Contudo, afirmam que não há risco ou efeito prático para os produtores brasileiros de feijão no curto prazo, mas sim para os argentinos, principais fornecedores da variedade de grãos pretos e que já tem visto minguar a comercialização ao longo dos últimos anos.

Imagem ilustrativa da imagem Produtores pedirão apoio para exportar após abertura ao feijão mexicano
| Foto: Folha Arte

O presidente do Ibrafe (Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses), Marcelo Luders, afirma que a demanda mexicana vem desde o início da década. “Em 2016, por exemplo, eles tinham um excedente ao mesmo tempo em que o preço explodiu no Brasil, nós compramos feijão de fora e eles não tinham a análise de controle de pragas pronta. Mas agora vemos que eles são mais importadores, então é do jogo”, diz.

Para Luders, a medida abre espaço para demandas dos produtores de feijão. “O que questionamos é o Mapa tomar a decisão sem comunicar ou consultar o setor, o que é estranho”, conta. “O que destoa é usar o feijão como barganha para o arroz. Agora, ocorreu um acordo e vamos solicitar para que tenhamos a possibilidade de exportar ao México, porque precisamos do apoio do ministério e da Apex para abrir mais mercados”, sugere, ao citar a Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos.

Conforme o Mapa, porém, a abertura para o arroz é importante porque o México importa 80% do que consome. “Quero dizer da felicidade dos nossos produtores de arroz, principalmente do Rio Grande do Sul, que esperavam por essa oportunidade de exportar arroz para o México. Recebemos o feijão mexicano para completar o nosso prato principal, o arroz com feijão”, afirma a ministra Tereza Cristina, em nota no site do ministério.

Por outro lado, os maiores produtores mundiais de feijão são também os principais consumidores, o que reduz o comércio exterior. Segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) de 2018, os líderes, pela ordem, são Myanmar, Índia, Brasil, Estados Unidos, México e Tanzânia, responsáveis por 57% do total produzido no mundo, ou 15,3 milhões de toneladas. E, se os gaúchos são os principais produtores de arroz, os paranaenses são os principais de feijão, com cerca de um quinto do total nacional.

ARGENTINOS

Técnico de planejamento e analista do mercado de feijão na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), João Ruas destaca que os efeitos maiores serão sobre os produtores argentinos. “Já chegamos a comprar 160 mil t deles e isso caiu pela metade”, diz. “Mas é até salutar o mercado ficar aberto, porque os principais produtores são consumidores e o que sobrar poderá ser vendido”, completa.

De acordo com o Ibrafe, o México tem acordo comercial com EUA e Canadá para feijão e importou 165 mil t na safra 2017/18, dos quais 87% dos primeiros e 10% dos canadenses. O restante, pouco menos de 3%, veio da Argentina.

Mesmo assim, Luders destaca o crescimento das vendas brasileiras ao exterior, que foram de 20 mil toneladas em 2010 para 162 mil no ano passado. “Tínhamos recentemente somente o mercado nacional, com os tipos preto e carioca. Isso mudou e hoje produzimos o rajado, vermelho, caupi e grão de bico”, conta o presidente do Ibrafe.

NOVA SAFRA NORMALIZA PREÇOS NO PARANÁ

O início da segunda safra de feijão fez com que os preços caíssem a níveis próximos do normal no Paraná, segundo o Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento). O valor da saca de 60 kg para a variedade de cor (carioca), que ficou em R$ 222,58 na média de abril, caiu para R$ 132,90 na cotação da última sexta-feira (10). No quarto mês do ano passado, quando havia superoferta do produto, o valor era de R$ 90,22.

A variação foi menor sobre o feijão preto, mais consumido no Rio Grande do Sul, Curitiba, Rio de Janeiro e Bahia. O valor médio foi de R$ 103,94 em abril de 2018 para R$ 130,53 no mês passado. Na última sexta-feira, a cotação estava em R$ 120,86, conforme o Deral. “Não vejo muito peso neste momento em importar porque o preço está baixando, pela oferta da segunda safra, que teve aumento da área plantada”, diz o técnico do Deral Metódio Groxko.

Houve queda de 15% no espaço ocupado pela cultura na primeira safra sobre o ano passado, devido aos baixos preços pagos na época do plantio deste ano, que ficou em 162,3 mil hectares. As melhores cotações impulsionaram em 8% a segunda colheita, fechada a 277,9 mil no Estado. “Os valores estão caindo, devem subir um pouco no segundo semestre, mas é importante que fiquem em um patamar razoável para não desestimular o agricultor”, afirma Groxko.

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