Agricultores pleiteiam uma solução para as dívidas rurais, mudanças na política agrícola e medidas de amparo ao setor
Centenas de produtores rurais dos Campos Gerais e Região Central do Paraná participaram da manifestação Movimento Pró-Agricultura, ontem, em Tibagi (região central do Estado). Os agricultores pleiteiam uma solução para as dívidas rurais, mudanças na política agrícola, melhores preços mínimos, mais recursos a juros de 8,75% e novas medidas de amparo à comercialização agropecuária.
Os manifestantes fizeram um bloqueio com tratores e maquinário agrícola, durante duas horas seguidas, fechando os três principais acessos rodoviários de Tibagi. Depois seguiram para a praça central, com um ato público em frente da agência local do Banco do Brasil. A mobilização teve o apoio e a presença de produtores de Ponta Grossa, Castro, Palmeira, Telêmaco Borba, Imbaú, Ortigueira, Curiúva, Ventania e Piraí do Sul. O BB é o principal financiador das safras agrícolas brasileiras.
O presidente do Sindicato Rural de Tibagi, Nelson Cândido da Silva, falou da conjuntura atual. De um lado, as quebras causadas por secas sucessivas dos dois últimos anos agrícolas. De outro, as quedas de valor dos preços pagos aos produtores.
As adversidades foram tantas que muitas famílias, mesmo com as parcelas 2004 e 2005 das dívidas rurais prorrogadas, não conseguiram reunir condições para pagarem as parcelas dos financiamentos de custeio renegociadas, após dois períodos de estiagem a partir de 2004. ''O agricultor não quer ser chamado de caloteiro. Queremos que nossa dívida seja securitizada para que ela possa ser paga'', destaca Nelson.
Prorrogação - Ontem, a Federação da Agricultura do Paraná (Faep) enviou um ofício ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, e ao vice-presidente de Crédito Rural do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, pedindo a prorrogação das parcelas dos financiamentos, abertura de crédito para retenção de matrizes e garantia de recursos para contratação de créditos de custeio.
Segundo o órgão, os pecuaristas acumulam muitas dívidas em virtude da febre aftosa e não têm condições de quitar os débitos. ''A crise deflagrada a partir de outubro de 2005 - com a divulgação da suspeita de foco de febre aftosa no Paraná - trouxe prejuízos continuados às cadeias de pecuária de corte e leite. Em função do fechamento das fronteiras, principalmente com São Paulo, estes segmentos produtivos tiveram interrompida repentinamente uma das principais vias de escoamento de seus produtos'', diz o ofício, assinado pelo presidente da entidade, Ágide Meneguette. De acordo com líder ruralista, a difícil situação provoca prejuízo diário superior a R$ 4,7 milhões às cadeias produtivas de carnes e lácteos paranaenses.

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