Durante o 21° encontro de cafeicultores na ExpoLondrina, um detalhe que chamou a atenção dos participantes foi a distribuição de pequenas faixas pretas na entrada do evento. A ação teve o objetivo de mostrar que o setor está em "em luto". O motivo dessa crise vivida pelo setor são os altos custos de produção e os baixos preços pagos aos produtores. De acordo com Francisco Barbosa Lima, produtor na região Norte do Paraná, o investimento não tem gerado retorno para o cafeicultor.
"Se o nosso café tem uma qualidade superior, não recebemos nada por isso", lamenta Lima. Segundo ele, o custo de produção por saca tem girado em torno de R$ 340, enquanto o preço mínimo pago pelo mercado tem ficado em torno de R$ 265 a saca. "Estamos tendo muitos prejuízos", lamenta. Lima aponta duas alternativas para uma possível solução do problema. A primeira delas é a criação de estoques públicos para que haja equilíbrio de mercado. A segunda seria a intervenção das cooperativas com a determinação de preços diferenciados para cada tipo e/ou qualidade do café.
Na primeira opção, o produtor aposta que se houvesse um estoque público de café de 8 milhões de sacas, seria o suficiente para equilibrar a oferta e a demanda do mercado, oferecendo ao produtor preços mais justos. Em relação à intervenção das cooperativas, Lima lembra que anos atrás essas instituições separavam o produto de acordo com a qualidade, mas deixaram de fazer isso, segundo ele, sem uma razão específica. "O produtor precisa ser remunerado quando tem um produto de qualidade", completa.
De acordo com o especialista da Seab, Paulo Sérgio Franzini, muitos pedidos encaminhados ao Estado pelo setor produtivo, como a contratação de técnicos, aquisição de calcário e gesso e compra de mudas, já foram atendidos. Outras exigências do setor, como a desoneração fiscal, aumento do preço mínimo, inclusão no Programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC), já são responsabilidades do governo federal.

Produção
De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, a produção paranaense deste ano deve ficar em torno de 1,7 milhão de sacas de café, contra 1,6 milhão registrada na safra passada. Em volume, o Paraná deve produzir este ano 101,24 mil toneladas do grão. Ao todo, o Estado destinou para a cultura uma área de 66,1 mil hectares para o atual período. (R.M.)

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