Produtores pedem apoio para enfrentar a crise
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O Núcleo dos Sindicatos Rurais do Norte Pioneiro (Norpi) que concentra 24 sindicatos rurais pede mais apoio do governo à comercialização agropecuária a partir do próximo ano. Em documento divulgado à imprensa, o Norpi afirma que esta iniciativa garantiria um preço justo na produção de alimentos e de renda aos produtores rurais. O apoio é solicitado em resposta à crise financeira global, que reduziu a oferta de crédito, baixou os preços das commodities e também considera a ajuda a outros setores como a indústria automobilística, construção civil e crédito para exportação.
Os agricultores são conhecidos como chorões, mas trabalhamos de sol a sol, enfrentamos secas e chuvas e não temos qualquer garantia de renda, afirma Ciro Tadeu Alcântara, presidente do Norpi. De março a novembro são apontadas quedas nos preços do trigo (-33,41%), feijão de cor
(-31%), milho (-20,84%), leite cota (-15,25%) e soja (-6,07%). Em contrapartida foi registrado aumento nos custos da soja (+40%), do milho (+33%) e do trigo (+31%). Com o aumento dos custos e preços não-remuneradores, as atividades desenvolvidas em vários segmentos do agronegócio já apresentam prejuízos, diz o documento.
As dificuldades na comercialização agravam a situação. É o que acontece com o trigo, que não tem comprador e é afetado por problemas climáticos, como a seca, explica a nota. A maior parte da produção de alimentos é financiada pelo sistema bancário e por fornecedores de insumos, como empresas privadas e cooperativas. Além disso, o setor vem de um período de crise (vivido entre 2004 e 2007) com a estiagem e à política cambial. Com o parcelamento da crise, o acúmulo de dívidas dificultou o acesso ao crédito rural com conseqüências à retração dos recursos para empréstimos em todas as atividades econômicas, afirma o documento.


