Emerson Cervi
De Curitiba
Um grupo de 150 agricultores familiares da região metropolitana de Curitiba e centro-sul do Estado fez ontem uma manifestação na Assembléia Legislativa do Paraná. Eles reivindicam um auxílio do Governo do Estado para voltar a plantar. Segundo o agricultor familiar de Contenda, Luiz Hilário Boçon, 34 anos, a maioria dos pequenos produtores da região não conseguiu plantar esse ano por falta de recursos.
Os agricultores pediram apoio de deputados para a liberação de recursos prometidos pela Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab). De acordo com os manifestantes, no ano passado o secretário de Agricultura tinha prometido repassar R$ 500,00 por família para o plantio da safra de verão 2000. O dinheiro não chegou nas mãos dos produtores até agora. ‘‘Já está terminando a colheita e o governo não mandou a verba para plantar.
O diretor geral da SEAB, Norberto Ortigara, disse que o governo prometeu a liberação dos recursos para compra de insumos e semestre a partir de agosto deste ano. Segundo ele, a secretaria ajudou os agricultores inadimplentes a renegociarem suas dívidas com os órgãos financiadores.
‘‘Os preços dos insumos são altos, nossos produtos não valem nada e não temos mais crédito nas linhas de financiamento dos bancos por inadimplência’’, afirmou. A maioria dos manifestantes cultivava batata em pequenas áreas até o ano passado. Mas a queda nos preços do produto e o aumento dos custos de produção inviabilizaram a atividade. Para produzir uma saca de batatas de 60kg são necessários entre R$ 7,00 e R$ 9,00. O preço atual pago ao agricultor está entre R$ 2,00 a R$ 3,00 a saca de 60 kg.
O feijão é um caso especial. Enquanto o produtor vende a saca de 60 kg do produto por menos de R$ 15,00, ou R$ 0,25 o quilo. O consumidor final compra no mercado o mesmo produto por R$ 60,00 a saca de 60 kg, ou R$ 1,00 o quilo.
As 150 pessoas que estiveram ontem em Curitiba são agricultores dos municípios de Contenda, Antonio Olinto, Lapa e Araucária. Em média, cada família cultiva 6 alqueires por ano. ‘‘Está faltando até comida para o agricultor, não podemos mais manter nossas propriedades’’, diz Luiz Hilário. ‘‘Dá até vergonha falar isso, mas quem está sustentando o pequeno agricultor e a economia dos municípios do interior são os aposentados que moram com as famílias nas propriedades.

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