Produtores pedem alteração na opção de estocagem de café
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segunda-feira, 16 de setembro de 2002
Benedito Teles<br> Equipe da Folha 
Santo Antônio da Platina Os cafeicultores do Norte Pioneiro em Santo Antônio da Platina (20 quilômetros ao sul de Jacarezinho) reivindicam mudanças na opção de estocagem voluntária do café previsto no Sistema de Leilões de Opções de Venda de Café ao Governo. A medida faz parte do programa de apoio ao setor rural que compreende a alocação de quase R$ 2,2 bilhões em ações de apoio à atividade cafeeira.
Os cafeicultores alegam que as normas de procedimento da opção comprometem o sistema porque gera despesas na execução dos requisitos exigidos pelo governo federal e perdas durante o período de armazenamento do produto. O sistema estabeleceu um preço mínimo de garantia igual a R$ 130,00 por saca para dezembro de 2002.
No sistema o agricultor pode optar pela venda futura, exportação, custeio, pré-comercialização e estocagem voluntária. Neste último está previsto o beneficiamento e transporte do produto, assim como, o depósito em armazéns credenciados junto ao governo Federal. Eles afirmam que a execução dos requisitos vai gerar despesas e que a qualidade dos grãos também será afetada.
Há 60 dias o custo estimado no processamento do café era o equivalente a 15% do preço de comercialização. Os cafeicultores explicam que o sistema utilizado nos anos anteriores era mais eficiente e reduzia os gastos. Neste modelo as sacas eram armazenadas nas tulhas das próprias fazendas sem beneficiamento.
Este sistema, segundo eles, assegurava a qualidade do café e reduzia os custos. O cafeicultor e engenheiro agrônomo Luis Geraldo Papi Fernandes disse que as normas comprometem o acesso dos pequenos produtores ao sistema devido ao custo.
Ele explica que no método convencional, o cafeicultor era considerado fiel depositário como garantia ao governo federal e junto à instituição financeira havia a garantia hipotecária através da propriedade. Fernandes também afirma que o armazenamento do café beneficiado, ao contrário do café in-natura, poderá provocar a deterioração do produto. ''Durante a estocagem o café beneficiado poderá perder as características organolépticas do produto como aroma e sabor'', disse. O cafeicultor estima que no período em que o produtor comercializar o produto, após 18 meses, o preço alcançado pelo café beneficiado será inferior ao obtido caso o café não estivesse beneficiado.
O cafeicultor e engenheiro agrônomo Guilherme Lange Goulart disse que o sistema de estocagem voluntária também é comprometido pelos custos do laudo emitido pelo Centro de Comércio do Café, em Londrina e porque os bancos têm repassado recursos inferiores aos 90% do valor correspondente a saca definidos pelo governo federal.
O valor da saca é obtido de acordo com o índice da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq). ''Em Santo Antônio da Platina já foram negociadas sacas com até 70% do valor'', lamentou. Ele destaca que o programa de apoio é fundamental, mas que as mudanças sugeridas nos critérios do sistema de estocagem voluntária aumentariam o número de adesões ao sistema e beneficiaria o produtor.


