Produtores paranaenses protegem lavouras contra o frio
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quarta-feira, 24 de julho de 2013
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
As noites têm sido longas para os produtores paranaenses nos últimos dias com os alertas de geada emitidos pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). O último, divulgado ontem pela entidade, apontou a possibilidade de geada na madrugada desta quarta-feira em várias regiões do Estado, principalmente nas áreas de produção de café, localizadas no Norte e Noroeste. Segundo o alerta, essas regiões poderiam apresentar temperaturas negativas hoje. Para evitar ou reduzir perdas, agricultores usam de algumas técnicas para cobrir a produção ou "espantar" o frio.
O cafeicultor Mauro Vieira e Silva, do distrito de Lerroville, zona sul de Londrina, há uma semana não dorme direito com receio de que as baixas temperaturas prejudiquem os seus 14,4 hectares de área plantada. A preocupação não é à toa, já que em 2000, ele perdeu quase todas as plantas com a geada que atingiu a sua propriedade. Para se precaver, Silva adota todas as recomendações técnicas para proteger as plantas.
Além de cobrir os pés de café de até seis meses e também o tronco das árvores com terra, o que evita a chamada geada de canela, Silva plantou entre as ruas de café feijão guandu e sacha, duas leguminosas que formam uma espécie de túnel que cercam os pés de café, cujo objetivo é proteger as plantas dos ventos e, principalmente, da geada. O agricultor observa que fez tudo o que foi recomendado, agora é só esperar. "Cafeicultor nunca dorme sossegado, ainda mais nesses dias", lamenta Silva.
Segundo o engenheiro agrônomo do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) Romeu Gair, quando o café está na fase adulta não há muito o que o produtor possa fazer para evitar os prejuízos com a intempérie, a não ser cobrir a raiz ou colocar lonas em talhões que pegam muito vento. "Quando a geada atinge essas áreas, geralmente a consequência vem nas próximas safras com a perda de produção e produtividade", lembra o especialista. Ele completa que, se a geada for muito forte, a recomendação é fazer a poda dos galhos e ramos atingidos.
No caso de plantas mais novas, ou seja, de até 18 meses, Gair explica que o sistema ideal é enterrá-las, como fez o produtor de Lerroville. Quanto ao feijão guandu e à sacha, o agrônomo endossa a ideia de plantá-las entre ruas: além de proteger da geada, plantas servem de adubo verde.
Em relação às hortaliças, Angela Beatriz Costa, meteorologista do Simepar, explica que os produtores estão precavidos. Segunda ela, a infraestrutura já existente nas propriedades, como as estufas e as áreas com coberturas, reduzem o impacto do frio. "Muitos horticultores até estão esperando um frio intenso com o intuito de quebrar o ciclo de algumas pragas e doenças", salienta Angela. Porém, revela que também há possibilidade de perdas.
Claudio Marcelo Oliva, produtor de morangos na região de Londrina, também tem dormido mal. O motivo são seus 17 mil pés da fruta. "Se esfriar muito, tenho que correr para montar fogueiras para evitar que a geada mate os frutos. Comecei a colher há apenas 20 dias", conta o produtor. Ele lembra que em 2011, mesmo com a utilização do fogo, chegou a perder boa parte da produção por causa do frio. Além dessa forma de espantar a geada, Oliva explica que, para assegurar que o sereno não se transforme em camada de gelo e, consequentemente, queime toda a plantação, a área é coberta com lona.
Tempo
A meteorologista do Simepar afirma que a geada prevista para esta madrugada seria de fraca ou moderada. Ela explica que a geada acontece quando não há muitas nuvens. "Quando isso ocorre, o solo perde calor mais fácil", analisa. Ela acrescenta que nesse contexto, há uma maior probabilidade de formação de gelo na superfície do solo.
De acordo com dados do Simepar, a temperatura mínima registrada em Londrina estava prevista para 1°C hoje. Na região de Guarapuava (Centro-Sul), onde nevou ontem, a mínima chegaria a 4°C negativos.


