As baixas temperaturas registradas na madrugada desta quarta-feira (25), indicam que produtores de milho e trigo podem ter sofrido perdas em suas lavouras. A avaliação é da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, que possui uma rede de estações meteorológicas instaladas em municípios das regiões noroeste e norte do estado. Em vários deles, as temperaturas registradas foram próximas de zero grau ou negativas.

A medição da Cocamar registrou zero grau em Sertanópolis, Tamarana, Doutor Camargo, Apucarana, Sabáudia, Iporã e Primeiro de Maio. Abaixo de zero, em propriedades próximas a Maringá (-1,4), Ivatuba (-1,9), Floresta (-1,0), Cambé (-1,8), Serrinha, zona rural de Londrina (-1,0), e Nova Esperança (0,2).

O agricultor Adão de Pauli, proprietário de terras próximas ao Distrito de Lerroville, em Londrina, foi surpreendido pelas baixas temperaturas na região. Em entrevista à Folha na sexta-feira (20), o agricultor afirmou que as expectativas para o inverno eram boas e que não se falava em geadas entre a categoria. “As lavouras de trigo e milho estão muito bonitas. Tem frio, mas nada que chegue a queimar” disse Pauli na ocasião.

Imagem ilustrativa da imagem Produtores paranaenses avaliam danos da geada no milho e trigo
| Foto: Cocamar/Divulgação

Nesta quarta-feira (25), Pauli afirmou que a geada desta madrugada vai gerar bastante perda da segunda safra de milho (milho safrinha). “Já até acionamos o seguro. As perdas vão ser grandes. Daqui a sete ou dez dias nós vamos avaliar, mas não vai ser coisa pouca não”, comentou.



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Procuradas, as assessorias da Seab (Secretaria da Agricultura e do Abastecimento) e da Integrada Cooperativa Agroindustrial informaram que ainda não é possível quantificar, de forma mais precisa, as possíveis perdas, pois o levantamento demanda alguns dias.

A Cocamar Cooperativa Agroindustrial estima que, pelo menos, 30% das lavouras de milho cultivadas nas regiões da rede noroeste e norte ainda estavam em uma fase de maturação mais vulnerável.

O ponto de pamonha

A fase mais vulnerável do milho é chamada popularmente de “ponto de pamonha”. Embora seja o ponto ideal para as tradicionais receitas que tem o cereal como base, neste estádio de desenvolvimento a cultura sofre mais com as baixas temperaturas.

A agrônoma Gabriella Monteiro Verteiro explica que nessa fase, o estádio R4, o amido presente nos grãos está mais pastoso. Com a geada, há um congelamento das células das folhas. Isso causa a queima e prejudica os processos de fotossíntese da planta, afetando seu desenvolvimento.

Imagem ilustrativa da imagem Produtores paranaenses avaliam danos da geada no milho e trigo
| Foto: Cocamar/Divulgação

A agrônoma explica que a lógica é a mesma para outras culturas, como o café, que tem histórico de grandes perdas no norte do Paraná. “Vai atrapalhar no desenvolvimento da planta, no crescimento, no número de espigas, no crescimento das espigas e, consequentemente, no rendimento. Quanto menos a planta se desenvolve, menos o produtor vai colher e menos ele vai ganhar”, frisa Verteiro.

Trigo

O agricultor Mylton Casaroli Neto, 43, proprietário de terras na região do Distrito de São Luiz, em Londrina, planta 120 alqueires de grãos ao longo de todo o ano. Em 2025, optou pela cultura do trigo em 50 alq. de lavoura comercial. O restante foi destinado a plantio de cobertura. O produtor escolheu o trigo em razão da expectativa de frio um pouco mais intenso em relação a 2024.

“O trigo acaba sendo uma cultura mais segura no que tange ao clima. Já faz alguns anos que eu não planto milho. Devo plantar no inverno do ano que vem, mas nesse ano intercalei o trigo com cultura de cobertura”, explica o agricultor.

Neto ainda vai avaliar a lavoura após a geada desta quarta-feira (25), mas acredita que não haverá perdas em razão da fase de desenvolvimento em que está a cultura. “O trigo nosso ainda estava muito recente. Não estava ‘espigando’ ainda. O frio é até bom, na verdade, para estressar a planta. Em estresse ela tende a se desenvolver bem”.

Além da tolerância ao frio, o planejamento do produtor é de longo prazo e já visa o verão, uma vez que a cultura do trigo permite uma área de plantio mais limpa após a colheita. Segundo Neto, a adubação do trigo é mais bem aproveitada na soja durante o verão, o que o faz escolher o cereal pensando nas próximas estações.

Inverno 2025

O inverno começou oficialmente às 23h42 da sexta-feira (20). A estação é marcada por menos chuva, temperaturas mais baixas, maior probabilidade de formação de geadas e a permanência dos nevoeiros, que já tiveram presença durante boa parte do outono em quase todas as regiões paranaenses.

A previsão do Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná) é que o inverno de 2025 no Paraná tenha temperaturas mais baixas do que o inverno de 2024, porém levemente mais altas do que a média histórica. A chuva também deve ser dentro da média.

“As massas de ar ocasionam quedas acentuadas nas temperaturas num intervalo de 24 e 48 horas. Com o frio mais intenso associado a massas de ar de origem polar, a formação de geadas em boa parte do Estado é favorecida”, detalha o meteorologista do Simepar, Reinaldo Kneib.

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