Muitos fornecedores de matéria-prima da indústria de suco da Cocamar em Paranavaí já assinaram um novo contrato com a cooperativa, que agora inclui a Dreyfus como a responsável pela indústria de suco de laranja. Rogério Magno Baggio foi um deles. Segundo o citricultor, as condições contratuais praticamente são as mesmas. Entretanto, o produtor confessa que ainda há um certo receio com a mudança de direção da indústria. ''Ainda não sabemos as reais intenções da nova empresa'', relata.
Pelo contrato assinado, Baggio revela que a forma de pagamento deverá ser mais eficiente. Baggio acrescenta que, com base nas primeiras apresentações da multinacional frente aos produtores, o cenário tende a ser positivo, já que o plano de investimento da Dreyfus é grande. ''Se eles cumprirem a meta que prometeram, o negócio vai ser bom. Entretanto, por ela ser uma multinacional, ainda existe uma desconfiança por parte de nós, produtores'', enfatiza.
Segundo ele, o maior temor dos produtores da região estão nas negociações de valores pagos pela indústria. Atualmente, segundo Baggio, o valor pago pela caixa está em torno de R$ 9,70, a um custo de produção de R$ 9. O atual cenário, completa ele, é positivo. Baggio chega a fornecer à indústria de suco da Cocamar, localizada em Paranavaí, até 300 mil caixas de laranja por safra, em uma área plantada de 363 hectares.
Mercado
Alcides Torres, engenheiro agrônomo e consultor da Scot Consultoria, afirma que a aquisição de uma agroindústria cooperativista por uma multinacional não é algo inédito no Brasil. Segundo ele, muitas cooperativas que processavam a fruta foram incorporadas por grandes empresas. Torres, que também é citricultor, aponta que uma das consequência dessas fusões e aquisições é o crescente monopólio dessas indústrias.
O consultor aponta que uma desvantagem de ser fornecedor de ''gigantes'' é a perda do poder de barganha do produtor porque, em alguns casos, não há negociação de preços. Além disso, Torres destaca que o produtor corre o risco de perder o respaldo da cooperativa. Segundo ele, com a venda da indústria, o produtor perde inúmeros benefícios oferecidos pela cooperativa, o que inclui empréstimos, parcelamento de dívidas, além da distribuição anual do lucro do setor, caso houver.
Torres avalia que o mercado de suco de laranja não anda muito bem. Segundo ele, muitos produtores estão saindo da atividade para plantar cana-de-açúcar. ''A citricultura já deu muito dinheiro, mas hoje não mais'', desabafa o consultor.

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