Produtores negam colheita de 'supersafra' este ano
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sábado, 13 de março de 1999
Pedro Livoratti 
A elevação do dólar melhorou a rentabilidade das commodities, mas deixou produtores em dúvida com relação à próxima safra agrícola. Os insumos subiram na proporção da moeda americana, enquanto os grãos, afirmam os produtores, não tiveram a mesma correção. Segundo os agricultores, a soja, que já começou a ser colhida, teve redução de seu preço esta semana, perdendo de longe para o aumento praticado nos herbicidas, inseticidas e demais insumos. Os agricultores questionam também a estimativa de uma supersafra, divulgada pelo governo federal, que projeta aumento da colheita de grãos em cerca de 9%. Pela projeção do governo, o Brasil deve encerrar o ano com uma colheita próxima a 84 milhões de toneladas de grãos.
Isto é ufanismo. Não acredito nisto e nem o mercado, afirma o produtor de soja da região de Londrina, Nagib Abudi Filho. Segundo ele, um número mais seguro para a safra deste ano é a projeção do IBGE, que aponta uma colheita entre 77 e 79 milhões de toneladas. Para o produtor, um aumento real de colheita só é possível mediante expansão da área de lavoura.
Ele avalia que o governo vem fazendo sua parte ao oferecer crédito subsidiado com juros de 8,75% anuais, mas mesmo assim não está otimista com relação à próxima safra. Segundo Abudi Filho a tendência é inclusive de retração de área e menos emprego de tecnologia no campo, o que significa produtividade menor. Se por um lado a crise cambial promoveu aumento da rentabilidade de alguns produtos agrícolas, os preços internacionais tiveram queda. Segundo ele, a soja caiu 30% nos últimos 12 meses. Isto provocou aumento de subsídios nos EUA e seria preciso fazer o mesmo aqui para que houvesse aumento de área agrícola, afirma ele.
Para o presidente da Sociedade Rural do Paraná Francisco Galli a expectativa de colheita de 83 milhões de toneladas de grãos é preocupante frente ao que o Brasil poderia produzir. A Argentina, um País bem menor que o nosso, deve colher 60 milhões de toneladas este ano, compara. Segundo Galli, o efeito positivo da supervalorização da moeda americana não chegou ao campo. Ele afirma que o milho sendo comercializado na faixa de US$ 4,00 a saca e a queda do preço da soja mostram um cenário pessimista. Nossa esperança é algum benefício futuro a partir da exportação de produtos motivada pela política cambial, afirma o presidente da Sociedade Rural. Ele afirma que o Brasil tem potencial para produzir nove vezes mais que a estimativa do governo projetada para este ano. Esta produção, no entanto, depende de aumentar a área de lavoura e de criar infra-estrutura para escoamento de safra.
O presidente do Sindicato Rural de Londrina Edson Ponti também não espera a colheita de mais de 80 milhões de toneladas para este ano. Ele afirma que a preocupação do setor hoje é quanto a definições para o plantio de inverno. No caso do milho safrinha, os insumos praticamente inviabilizam a adoção de tecnologia de ponta. Agricultores, informa ele, estão barateando os custos de plantio o que deverá significar produtividade até 50% menor.


