Produtores não se valem de liminar para exportar
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terça-feira, 13 de setembro de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Com pouco volume de produção, exportadores e cooperativas já direcionaram a soja transgênica da safra 04/05 para ser embarcada em outros portos brasileiros. Ontem, nenhum produtor ou cooperativa paranaense quis se valer da liminar concedida à Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) para embarcar soja transgênica pelo Porto de Paranaguá. A liminar é válida somente para os produtores vinculados a sindicatos rurais do Paraná.
Segundo o presidente da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec), Sergio Mendes, os compromissos de exportação para este ano já foram programados e com isso outros portos já foram escalados para exportação da soja transgênica. Essa programação inclui as rotas dos navios, que não é fácil alterar de uma hora para outra, explicou.
Até o final da tarde e início de ontem, o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná não havia acusado o recebimento de recurso contra a liminar obtida no final da semana passada pela Faep. Exportadores, cooperativas e produtores apostam na vigência da liminar a partir de março de 2006, quando começa a ser enviada a safra 05/06, cujo volume a ser embarcado deve ser bem maior.
Sergio Mendes disse ainda que atualmente é impossível escoar soja totalmente livre de transgenia. Até os importadores aceitam como tolerável um índice de 0,9% de mistura. Segundo o empresário, uma soja totalmente convencional, com zero de mistura, como prega o governo do Paraná, tem que ser certificada desde a origem até o embarque, cujo custo está estimado em US$ 25/tonelada.
Segundo Mendes, não houve maior pressão para utilização do Porto de Paranaguá para escoamento da soja transgênica porque, além da escassez na disponibilização de sementes na safra passada, houve uma quebra de 10 milhões de toneladas de soja no País, nas safras dos últimos dois anos. Mas para a safra 05/06, as condições climáticas apontam para uma retomada na produção que pode atingir 60 milhões de toneladas. ''Com isso, a demanda para exportação da soja transgênica será maior''.
O produtor Nelson Teodoro de Oliveira, de Campo Mourão, vai plantar semente de soja transgênica em 90% de sua propriedade, com cerca de 500 hectares. Ele disse que plantou pouco no ano passado, por causa da escassez de semente, mas foi o bastante para ver a redução de custos na lavoura. Oliveira disse que conseguiu economizar entre R$ 700,00 e R$ 800,00 por alqueire com a soja transgênica. Ele calculou os ganhos com os herbicidas que deixou de comprar e os gastos de óleo com trator.


