Os produtores de amendoim do Paraná não estão conseguindo comercializar a safra por causa da aflatoxina, substância produzida por fungos e que pode causar câncer e hepatite B. Na região de Umuarama, maior produtora do Estado, quase toda a safra colhida no final de janeiro permanece armazenada e está se estragando. As empresas não querem comprar a produção por ter sido colhida em época de chuva. O fungo se desenvolve quando o amendoim é exposto à umidade.
O agricultor César Amaro Guimarães , de Bragantina, no sudoeste do Estado, disse ontem que está com 2.600 sacas guardadas num barracão em Umuarama. Ele e os irmãos plantaram 12 alqueires numa área arrendada em Perobal, (30 quilômetros ao sul de Umuarama). ‘‘Já tivemos uma perda de aproximadamente 35% na lavoura por causa da chuva. Esperávamos colher quase 4 mil sacas. Agora corremos o risco de perder o resto por falta de comprador’’, lamentou Guimarães. Para não perder toda a produção, alguns pequenos produtores estão tentando vender amendoim nas feiras.
A indústria de alimentos Zaeli, de Umuarama, é a maior compradora de amendoim na região. Processa cerca de 40 toneladas por mês. Uma das três empresas paranaenses que tiveram a comercialização de produtos temporariamente proibida por causa da contaminação por aflatoxina, a Zaeli está rejeitando o produto da última safra.
O diretor comercial da Zaeli, Vagner Zago, previu que os agricultores seriam os maiores prejudicados e sustenta que o Governo deveria fazer uma campanha para orientá-los sobre a aflatoxina, porque a contaminação geralmente ocorre no campo. ‘‘Nós fazemos análise em todo o amendoim que industrializamos, mas antes de comprar observamos a origem e o aspecto do produto.’’
Segundo o economista Ático Ferreira, do Departamento de Economia Rural (Deral) de Umuarama, a área plantada este ano na região dobrou em relação ao ano passado. Subiu de 896 hectares para 1.900 hectares. Ano passado, foram colhidos 1.528 toneladas. Este ano, a produção deve girar em torno de 3.400 toneladas.

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