Os produtores que plantaram feijão na safra das águas e que financiaram a lavoura através do Pronafinho (Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar) estão com dificuldades de pagar os contratos de custeio que começam a vencer esse mês. Eles venderam o produto abaixo do preço mínimo e agora não têm o dinheiro suficiente para pagar o financiamento. A preocupação é com a perda do rebate de R$ 200,00 que os agricultores familiares têm direito, disse o assessor econômico da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná, Sergio Gutierrez.
A recomendação da Fetaep é que os agricultores peçam uma prorrogação e que paguem os débitos na próxima safra. Gutierrez disse que a preocupação da entidade não é incentivar a inadimplência e por isso orientam que paguem pelo menos uma parte do débito e tentem uma prorrogação no prazo, com as mesmas taxas pactuadas no início do financiamento. No Paraná foram feitos mais de 50 mil contratos no valor médio de R$ 1.200,00, que dá uma idéia da importância que os mini e pequenos agricultores dão ao desconto do Pronafinho, justificou.
Segundo Gutierrez, os produtores de feijão podem pedir a prorrogação porque venderam a produção abaixo do preço mínimo de comercialização e também tiveram perdas em produtividade em decorrência da estiagem ocorrida no segundo semestre do ano passado. Em relação à preocupação com o desconto, Gutierrez disse que o agricultor só perde o direito ao rebate de R$ 200,00 se aplicou os recursos do financiamento incorretamente. Ou seja, se não aplicou em tecnologia ou usou o dinheiro para outros fins.
Se o produtor for negociar com o gerente munido dos laudos de clima e de comercialização, que exibem os preços recebidos em todas as regiões do Estado, certamente vai justificar sua situação. E não perderá o direito ao desconto, porque é um direito previsto no Manual de Crédito Rural, frisou Gutierrez.
A recomendação da Faep – Federação da Agricultura do Estado do Paraná – é a mesma. Segundo o assessor Adilson Ricardo, a prorrogração do crédito de custeio está prevista no Manual de Crédito Rural, e no caso do feijão os produtores podem ter acesso a esse benefício, renegociando a dívida com as mesmas taxas do crédito rural.
A Superintendência do Banco do Brasil ainda não se pronunciou a respeito dos produtores de feijão, alegando que o governo liberou recursos para AGF (Aquisição do Governo Federal) e o preço do feijão também está reagindo no mercado. Ocorre que a liberação dos recursos ocorreu muito tarde, quando a maioria dos pequenos produtores já tinha comercializado a safra e os preços bons para o feijão correspondem apenas ao produto que está sendo colhido agora, na segunda safra.
O Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral) confirmou que a reação nos preços ocorreu somente agora quando mais de 80% da primeira safra já foi vendida. Segundo a engenheira agrônoma Vera Zardo, a maior parte da produção do feijão das águas foi vendida entre fevereiro e março, quando os preços desabaram para uma média de R$ 21,00 a saca no Paraná. Nas regiões onde predominam os pequenos produtores como Jacarezinho, Irati, Prudentópolis, o feijão chegou a ser comercializado entre R$ 15,00 e R$ 18,00 a saca.

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