O pequeno produtor rural Eliel dos Santos Silva perdeu 70% das verduras e legumes que planta numa área de sete hectares no Patrimônio Selva, em Londrina. Ele é um dos milhares de produtores rurais da região que estão contabilizando prejuízos por causa das chuvas dos últimos dias. Do início do mês até agora já choveu 306 milímetros. A média histórica do mês de janeiro nos últimos 10 anos é de 229 milímetros.
O chefe do Núcleo Regional da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), Gil Abelin, diz que a perda de verduras e legumes é total nas propriedades que não possuem estufas. Pelo menos 80% dos produtores do município plantam a campo aberto.
As chuvas seguidas de mormaço causaram o que os técnicos chamam de melaço e cozimento nas folhas de alface, couve, rúcula, repolho. No caso das leguminosas (pepino, abobrinha, cenoura, pimentão etc), a falta de sol e o excesso de umidade está provocando o abortamento das flores. ''Isso impede a produção dos frutos'', afirma a agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, Rosângela Zaparoli. Para a secretaria, não há dúvida de que a partir da semana que vem a oferta desses produtos será menor no mercado e, o que é pior, com preços bem mais altos. ''Na semana que vem, verduras e legumes terão que vir de fora, porque aqui na região será difícil encontrar'', complementa Abelin.
''A abobrinha, beringela, jiló estão apodrecendo no pé. Perdi praticamente tudo, inclusive dois mil pés de tomates que plantei recentemente'', reclama o produtor Eliel dos Santos Silva. Segundo ele, nos pés de pimentão começou a aparecer fungos nas folhas. ''Todo dia tem chovido forte e a cada dia os prejuízos são maiores'', comenta ele, que só utiliza estufa para as mudas. ''Mesmo na estufa, o clima está prejudicando as mudas. Com a falta de sol, a umidade faz criar lodo na bandeja das mudas'', explica.
De acordo com Rosângela Zaparoli, a umidade também está causando manchas no feijão e isso poderá influenciar no preço. O município conta com uma área de dois mil hectares de feijão, com produção estimada em 2,104 mil toneladas. Os 12.310 mil hectares de milho não foram afetados com as chuvas. A maioria das lavouras deste tipo está em fase de granação e as chuvas, nesse momento, são benéficas. ''Se a chuva persistir pode ser que o milho comece a ter problemas. Pela falta de fontossíntese, o peso do grão pode ser menor'', explica Rosângela.
Para a soja, as chuvas também tem sido benéficas. Porém, em algumas lavouras está acontecendo o ''acamamento'' quando a planta cresce demais e tomba. ''Isso dificulta a secagem e interfere na frutificação por causa do sombreamento das folhas grandes'', explica Abelin, lembrando que o resultado são perdas na época da colheita. ''A tendência também, após a umidade e o mormaço, é o surgimento de fungos, o que já está ocorrendo em algumas lavouras''. O chefe da Seab alerta os produtores a ficarem atentos com as lavouras e procurar assistência técnica assim que constatar alguma doença nas plantas.

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