São Paulo- A saga dos agricultores do Sul de comprar terras baratas no Centro-Oeste para ampliar o cultivo de grãos está temporariamente interrompida. Os elevados custos de produção, especialmente do frete, reduziram a rentabilidade das lavouras da região por causa do cotação do dólar abaixo de R$ 2.
Em contrapartida, os bons resultados obtidos no Sul fizeram com que esses mesmos produtores centrassem fogo nos investimentos em suas fazendas localizadas em regiões tradicionais de produção de grãos, como o norte do Paraná.
''Fui para Guaraí, no norte do Estado de Tocantins, em 2004 atrás de terras baratas'', conta o produtor rural paranaense, Carlos Roberto Pupin. Ele viu no Tocantins uma grande oportunidade para ampliar o seu negócio. '' Na época, diz ele, conclui que o Tocantins seria uma região de futuro. Em 2004, pagou cerca de R$ 3 mil por hectare, o equivalente a um quinto do valor da terra no norte do Paraná.
Pupin, que já tinha 2 mil hectares em Maringá, norte do Paraná, onde cultiva até hoje soja e milho, comprou 10 mil hectares em Tocantins e abriu metade da área para plantar soja, milho e arroz.
Com o dólar abaixo de R$ 2,30, fica inviável produzir no Centro-Oeste, afirma o produtor, ressaltando que a falta de infra-estrutura veio à tona. Nas suas contas, a rentabilidade da soja no Tocantins, incluídas as despesas com frete, ficou, nesta safra, em torno de 5% do preço do produto, que nunca esteve em níveis tão elevados em dólar. Já na região de Maringá esse índice sobe para 15%. ''Hoje não faço investimentos no Centro-Oeste e tive de pegar empréstimo no banco. Agora estou em compasso de espera.''
A história se repete com o agricultor Osmar Benedito de Oliveira, que decidiu ir para Goiás em 1985. O preço baixo da terra na região foi uma oportunidade para expandir á produção. Ele adquiriu 6 mil hectares em Jataí, no Sul de Goiás, para plantar milho, soja, sorgo e girassol. Mas manteve a área de 780 hectares em Igaraçu, no norte do Paraná para produzir soja e milho.
''Este foi um do piores anos do Centro-Oeste em termos de rentabilidade'', diz Oliveira. Segundo ele, o que pesou muito foi a despesa com o frete e o dólar.

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