Os produtores de leite do Assentamento São Francisco de Assis, em Cascavel, invadiram ontem pela manhã a sede do laticínio Líder, em Maripá (84 Km ao norte de Cascavel), para cobrar uma dívida de R$ 30 mil. O grupo, formado por 60 pessoas promete sair da empresa somente após o ''acerto de contas''. A direção da Líder busca uma reintegração de posse junto à Justiça para tirá-los do local.

Os produtores fecharam o portão impedindo a entrada e saída de caminhões carregados de leite. Na parte da manhã, seis caminhões chegaram ao local mas precisaram retornar para não correrem o risco de perderem o produto que poderia estragar em decorrência da alta temperatura. Dentro do pátio estava o caminhão que havia sido confiscado na segunda-feira pelos produtores e que foi devolvido anteontem depois da intervenção da polícia.

A coordenadora da Comissão dos Reassentados Atingidos pela Barragem do Rio Iguaçu (Crabi), Margaret Maran, disse que ainda na parte da manhã, o promotor de Justiça, Flávio de Oliveira Santos, de Palotina, e alguns policiais estiveram na empresa para tentar uma negociação. ''Mostramos para ele os documentos que temos e ele disse que deveríamos buscar na Justiça nossos direitos''.

Na terça-feira, depois que aceitaram entregar o caminhão para a empresa terceirizada que faz o transporte do leite, os produtores apresentaram queixa na delegacia de Cascavel contra quatro pessoas que seriam diretores da Líder e que haviam negociado com eles a entrega do produto.

Margaret apresentou documentos que comprovam que João Batista Soares Neto, gerente de captação da Líder, é o locatário do barracão onde estava instalado o laticínio São Lucas. João Batista havia assinado um contrato de cinco anos com o proprietário do barracão, Herdo Margel, mas acabou rompendo o acordo no último dia 30 de setembro.

O procurador jurídico da Líder, Fortunato Bérgamo, informou que a direção da empresa em São Paulo não tinha conhecimento da participação de funcionários em outros laticínios. Ele completa que apesar da empresa não ser responsável pela dívida, a imagem da Líder foi prejudicada. ''Se alguém usou o nome da Líder terá que pagar por isso'', ameaça.

No final da tarde de ontem, o procurador jurídico seguiu para Maripá a fim de resolver a invasão. Ele acredita que até hoje pela manhã todos sejam retirados do local e os trabalhos voltem à normalidade no laticínio. ''Repudiamos qualquer tipo de atitude como essa. Tentamos um acordo amigável mas não foi possível'', observa.

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