Produtores ganham ponto de venda
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Pequenos produtores rurais de Londrina ganharam a oportunidade de comercializar produtos agroindustriais em uma grande rede supermercadista. Através do programa estadual Agroindustria Familiar Rural (Fábrica da Agricultura), sete produtores começam a expor seus produtos, a partir de hoje, em um ponto estratégico de venda, chamado Gôndola Varejista, instalada no hipermercado Condor. São mais de 80 itens, entre eles conservas, compotas, temperos, geléias, pastas, doces e demais alimentos industrializados.
O programa está sendo desenvolvido em 19 municípios na abragência do Núcleo da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) em Londrina em parceria com Emater, Codapar, com recursos do Paraná 12 Meses e Agência de Fomento. Com preços acessíveis e qualidade comprovada, os produtores dizem que estão conseguindo agregar valor as suas mercadorias. O pequeno produtor Gilson Luiz Ribeiro, que tem uma propriedade na região do distrito Espírito Santo vai comercializar produtos à base de soja. São farinhas, extrato, proteína texturizada, açúcar mascavo e soja em grão.
''Quanto mais pontos de vendas tivermos, melhor. O fato de estarmos numa grande rede melhora mais ainda'', afirmou Ribeiro. Há três anos ele decidiu trocar o milho em conserva e o champignon pela soja industrializada e não se arrepende. ''Hoje, a soja tem excelente saída nos mercados'', completou. Com a expansão dos negócios, Ribeiro alugou um barracão na cidade para industrializar o produto, investindo em torrador, resfriador, cilos e moinhos.
O produtor rural Edson Parra já comercializa seus produtos em redes menores e mercados municipais e está bastante animado com a gôndola varejista. ''Os supermercados já estão assimilando esse novo potencial: os produtos artesanais. Eles estão percebendo que é importante ter esse tipo de produto porque existem clientes que procuraram para comprar'', disse Parra, que comercializa tomate seco, picles e compotas de doces em sua propriedade no patrimônio Heimtal. ''Não temos uma produção grande, porque é tudo artesanal'', comentou.
Outro aspecto ressaltado por Parra é que os produtos artesanais começam a ganhar mercado justamente por serem diferenciados da linha popular. ''Existem clientes que preferem pagar menos num doce de uma grande empresa enquanto outros procuram pelo nosso produto. Nossos clientes não vão pelo preço, mas pela qualidade'', disse o produtor, que industrializa os produtos há 20 anos. Os incentivos estaduais foram fundamentais, segundo ele, para tocar o negócio.


