Cascavel - Cerca de 300 produtores rurais bloquearam ontem a BR 277, na entrada de Laranjeiras do Sul (138 Km a leste de Cascavel), em protesto organizado pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Eles reivindicam a definição de uma política agrícola melhor. A rodovia fechada é considerada um dos principais acesso ao Porto de Paranaguá. Para hoje está programada uma manifestação em frente às agências do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Os manifestantes decidiram fazer o protesto na estrada porque sabiam que conseguiriam chamar a atenção de caminhoneiros e autoridades. Na parte da manhã, a rodovia permaneceu fechada por cerca de 3 horas, o que resultou em filas de mais de dois quilômetros de extensão. Alguns motoristas reclamaram do tempo parado, mas a maioria apoiou o movimento.
Davi dos Passos, um dos coordenadores do MPA, reclama que os pequenos agricultores nunca tiveram uma política agrícola ‘‘de verdade’’, somente compensações por parte do governo federal. Segundo ele, uma das reivindicações é a definição de preços mínimos garantindo a recuperação do custo de produção e mais 30% de remuneração ao pequeno produtor.
O líder dos agricultores acrescenta que a classe também quer o arquivamento da Portaria 56, que exige a produção de leite em alta escala com a utilização de equipamentos sofisticados que evitem a contaminação do produto. Segundo ele, os pequenos produtores estão tendo dificuldades para sobreviver, e não teriam condições de gastar com a aquisição de maquinários. ‘‘Precisamos de um programa de viabilização da produção leiteira na agricultura familiar’’, diz.
Uma das reivindicações mais polêmicas do Movimento dos Pequenos Agricultores é a defesa da legalidade de áreas agrícolas de no máximo 35 módulos, cerca de 640 hectares. ‘‘Em um País com tanta miséria, não é moralmente certo permitir a existência de fazendas de dez mil, 20 mil hectares’’, afirma o coordenador do movimento.
O MPA também se manifestou contrário à presença de alimentos transgênicos no País. Os pequenos agricultores defendem uma moratória por tempo indeterminado para o cultivo, comercialização e consumo de produtos geneticamente modificados. Eles são favoráveis a um amplo programa de conversão da agricultura química para a agricultura familiar orgânica.
Hoje, no protesto em frente aos bancos, será entregue um documento solicitando linhas de crédito permanentes e subsidiadas para a agricultura familiar.

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