Produtores fazem reunião emergencial em Curitiba
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domingo, 28 de maio de 2006
Das agências 
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) convocou para hoje em Curitiba uma reunião com os presidentes dos 185 sindicatos rurais patronais, mais as 11 Comissões Técnicas de Produto e a Comissão Crise. A reunião deve durar o dia inteiro. Representantes do Banco do Brasil foram convidados a participar. O objetivo do encontro emergencial é analisar o impacto das medidas do novo pacote agrícola e a aplicação na prática, das decisões sobre as dívidas dos produtores rurais do Paraná.
No encontro também serão debatidos os rumos da mobilização do setor no Estado. Desde o dia 16, grupos de produtores do Norte e Noroeste do Paraná mantêm-se mobilizados em estradas e cidades. Os manifestantes reagem com tratoraços e o bloqueio de agências do Banco do Brasil, a instituição que é a principal financiadora da safra brasileira.
Problemas - Quando a conta não fecha, a inadimplência se alastra como um rastilho na pólvora seca. Esse diagnóstico aparentemente simples, bem à moda do interior brasileiro, resume o que é apontado pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, como a pior crise do agronegócio na história recente do País. O descasamento entre o custo de produção e os preços médios pagos ao produtor gerou nos dois últimos anos uma perda de renda estimada pelas entidades do setor da ordem de R$ 30 bilhões.
A pior situação é a da soja, principal commodity agrícola da pauta brasileira, afetada diretamente pela queda dos preços internacionais, o câmbio deprimido e a forte estiagem em algumas regiões. Rodrigues costuma comparar as taxas de câmbio para evidenciar a perda para o bolso do produtor.
Plantamos a safra, comprando insumos a R$ 2,60, e estamos colhendo a R$ 2,10, repete o ministro sempre que pode, para apontar os efeitos desastrosos da sobrevalorização do real para o setor. No balanço do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, só escaparam da crise os produtores de açúcar e álcool, e os cafeicultores.
A crise, no entanto, afeta outros setores da economia, especialmente em regiões potencialmente agrícolas. Pesquisa da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) aponta que, por conta da perda da rentabilidade do agronegócio, a venda no comércio caiu até agora 21% em relação ao mesmo período de 2005. As demissões se avolumam. As indústrias de máquinas e equipamentos agrícolas já dispensaram 7 mil funcionários no Rio Grande do Sul e quase 2 mil no Paraná. O setor madeireiro paranaense de florestas plantadas também demitiu cerca de 5 mil empregados.
O efeito maior dessa crise, no entanto, deve ser na safra 2006/2007, com retração da área plantada, queda na produção e no abastecimento e diminuição das exportações.


