Produtores fazem panfletagem na BR-369
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quarta-feira, 24 de maio de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O protesto realizado pelos produtores rurais adota mais uma estratégia. A partir de hoje de manhã haverá panfletagem na BR-369, em frente ao Parque de Exposições Ney Braga. Por enquanto, o trânsito não será bloqueado, apenas reduzido. A manifestção é mais uma tentativa de conscientizar a população e demonstrar que o movimento continua coeso e forte.
O pacote agrícola que será anunciado hoje pelo governo federal provoca desconfiança em alguns produtores. ''O governo não vai resolver nada, eles vão só 'encher linguiça'. O Lula (presidente Luiz Inácio Lula da Silva) só adia a data do anúncio e não acreditamos mais em nada'', disse Edenilson Larini, de Cambé (13 km a oeste de Londrina). Ele ainda frisou que a decisão da panfletagem partiu dos produtores rurais, sem a participação de sindicatos ou entidades. Os panfletos entregues aos veículos irá explicar os motivos do protesto. ''Estamos ouvindo xingamentos, mas a população precisa saber os nossos motivos. Não queremos dinheiro dado do governo'', salientou.
Ontem foi dia de vigília em frente ao parque de exposições. Participaram cerca de 50 agricultores que levaram para o local 20 tratores. O agricultor Divino Soriani, de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), comentou que mais de 80% dos produtores estão prestes a vender seus maquinários ou parte das terras. ''As empresas estão segurando as duplicatas à espera desse pacote, dependendo do anúncio todos iremos a protestos'', comentou. A falta de condições financeiras também está fazendo com que o agricultores reduzam a área de plantio.
''Deixei de plantar em 25% da área por falta de condições, nunca tinha feito isso'', disse o produtor Horivaldo Bigati, de Ibiporã (14 km a leste de Londrina). No local seriam plantados milho e trigo. O outro produtor Luiz Pissinati, de Sertanópolis, também deixou de plantar milho, feijão e sorgo em 20% da área da sua propriedade. Segundo ele, quem plantou há 30 dias já está com metade da sua produção comprometida devido à falta de chuvas. Desde o ano passado Pissinati vem vendendo parte de seu maquinário e veículos. Sua propriedade também foi alvo de ladrões, que roubaram uma camionete e R$ 22 mil em insumos.
Até agora, ele conseguiu pagar cerca de R$ 300 mil de dívidas, mas o valor total chega a atingir os R$ 800 mil entre débitos com bancos e empresas que comercializam insumos. ''Essa crise se arrasta por três anos, meu nome também está protestado. Em 55 anos de agricultura nunca vi uma situação igual a essa e também não sei como vou sair disso'', comentou. Algumas esposas dos produtores rurais também acompanharam os maridos na vigília. ''Estamos acompanhando desde o começo e vamos continuar até o final'', disse Marisa Zambaldi Frederico, de Ibiporã.


