Produtores farão manifestação nacional
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segunda-feira, 30 de maio de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Produtores rurais de vários Estados realizam manifestações hoje para pedir a renegociação das dívidas contraídas com a última safra, que passam de R$ 20 bilhões, e garantias para o plantio da safra 2005/06. Estão previstos bloqueios de rodovias em várias localidades do Brasil. No Paraná, a manifestação chamada de ''Mobilização no Campo'' terá início na praça de pedágio de Arapongas, na BR-369, por volta das 11 horas, e terá como ponto de concentração o Parque de Exposições Governador Ney Braga, em Londrina.
Liderada no Estado pela Federação de Agricultura do Paraná (FAEP), Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Sociedade Rural do Paraná, Núcleo dos Sindicatos Rurais do Norte e Noroeste do Paraná (Nurespa), a manifestação quer reunir mais de 8 mil produtores de todo o Estado. Cerca de 700 produtores associados da Cocamar já confirmaram a participação.
A crise atual do agronegócio, desencadeada pela estiagem, oscilação no câmbio, aumento no custo de produção e queda nos preços influenciaram diretamente as safras de soja e milho e levam agora os produtores e representantes de entidades a realizar o protesto. Eles deverão usar máquinas, tratores e caminhões para fechar a rodovia.
Para o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, o Governo Federal já tomou algumas medidas de socorro, porém, insuficientes para que os agricultores retomem a normalidade de suas atividades. ''Estamos propondo medidas complementares como a liberação de recursos para prorrogação dos financiamentos obtidos pelos produtores junto às cooperativas e demais fornecedores, originários da aquisição de insumos agrícolas'', afirma, acrescentando que há necessidade de um crédito emergencial estimado em R$ 3 bilhões.
As entidades pedem também mais rapidez na aprovação das operações de pré-custeio da safra 2005/2006; maior agilidade na operacionalização das medidas aprovadas para prorrogação dos débitos de custeio e investimentos; renegociação das dívidas dos produtores e cooperativas, entre outros.
Segundo Koslovski, no Paraná, as perdas foram de cerca de R$ 2,33 bilhões e 5,2 milhões de toneladas em razão da estiagem. ''Em razão disso, milhares de agricultores estão com suas atividades inviabilizadas, devido a falta de recursos para quitar seus compromissos junto aos agentes financeiros, cooperativas e demais fornecedores, bem com estão impossibilitados de realizarem novos plantios pela falta de recursos e crédito para compra de insumos'', garante.
Ontem, Koslovski e o presidente da Faep, Ágide Meneguette, entregaram ao presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão, uma carta aberta com as reivindicações. A maioria dos produtores, diz o assessor da Faep Carlos Augusto Albuquerque, deve para cooperativas e empresas de insumos agrícolas que financiaram parte de suas safras. ''Esse é um problema que precisa ser resolvido agora para não ficar para a próxima safra'', comenta ele.
''A manifestação deve ser vista também pela sua importância social, através da grande oferta de emprego e também pelo impacto da agropecuária em todo Brasil que reflete diretamente no comércio das pequenas cidades'', afirmou o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Luiz Fernando de Almeida Kalinowski.


