Produtores estudam solução para dívida
Produtores estudam solução para dívida
Conclusão do encontro em Londrina é que saída existe e deve ser encontrada na mobilização e união da classe
Oswaldo Petrin
César AugustoCasa cheiaProdutores lotam auditório na busca de respostas para crescimento de suas dívidas Os prejuízos acarretados pelas distorções nos cálculos das dívidas não são de fácil solução, mas os agricultores devem continuar insistindo na busca de uma saída porque ela existe, através da Justiça, de diálogos com o sistema financeiro e setores do governo ou através de pressão política. Qualquer que seja o caminho, os agricultores parecem convencidos de que devem-se manter unidos às suas entidades de classe, Sindicatos Rurais e Federação.
Esta é uma das conclusões do debate de quinta-feira, promovido pelo Sindicato Rural de Londrina. As 330 pessoas que lotaram o auditório Milton Alcover no Parque Ney Braga, receberam informações sobre o mecanismo financeiro e experiências com bancos. Falaram três especialistas: o assessor econômico da Faep, Adilson Ricardo, o assessor jurídico, Djalma Sigwalt, e o consultor Paulo Afonso Rodrigues, da Assessoria Financeira e Planejamento de Londrina (Afiplan). O encontro foi proveitoso, na opinião dos participantes, principalmente porque criou as pré-condições que podem embasar tomadas de posição. Ninguém fez reivindicação. Uma platéia consciente parecia mais interessada em se cercar de informações e tomar decisão segura.
O fundamental naquele momento era compreender melhor os mecanismos financeiro e político. Foram palestras técnicas, de orientação, sem o componente emocional, com o objetivo de propor negociação entre mutuários da dívida securitizada e bancos. Além dos participantes de Londrina, seus distritos e cidades da região, havia agricultor de São Jorge do Ivaí, Paranavaí, Curiuva, Nova Londrina, Astorga e Campo Mourão.
O primeiro passo para defender o recálculo da dívida, é conhecer o procedimento contábil adotado pelo banco, sugere o consultor financeiro Paulo Afonso Rodrigues. Segundo ele, um dos componentes do crescimento da inadimplência é a inexperiência do agricultor com números. Aproveitando desta falha, os bancos lançam taxas não pactuadas, cobram serviços não prestados e potencializam os custos da dívida com artifícios.
Bola de neve As dívidas crescem como bola de neve porque os bancos não cumprem os pressupostos da securitização. O ponto de partida para questionar dívidas lançadas pelos bancos é pegar o débito na origem ou na abertura da conta corrente. O mínimo a se fazer é conferir o que foi cobrado com o pactuado, expurgando as penalidades impostas ao tomar do crédito com a mesma principiologia de custos ou seja: remover o que foi cobrado indevidamente nos mesmos critérios prefixados pelo banco. O instrumento é a conta corrente, que é o coração financeiro do tomador do crédito pois é na conta corrente que estão lançadas todas as operações como Finame, crédito de custeio, etc.





