Produtores do Paraná não recebem da Parmalat
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sábado, 17 de janeiro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Cerca de 380 a 400 produtores de leite do município de Enéas Marques (38 quilômetros ao norte de Francisco Beltrão), no sudoeste no Estado, que entregam a produção para a unidade da Parmalat em Carazinho, no Rio Grande do Sul, não receberam a fatura de dezembro. É a primeira vez que a crise da indústria de laticínios italiana que atingiu outras unidades da federação chegou ao Paraná. Em Carambeí (20 quilômetros ao norte de Ponta Grossa), onde funciona a Batávia indústria da qual a Parmalat é acionista majoritária, os produtores da região estão recebendo normalmente.
Os produtores de Enéas Marques entregam um volume avaliado em 1,7 milhão de litros de leite por mês para a unidade da Parmalat, em Carazinho. A fatura de dezembro venceu no último dia 15 e os produtores não receberam o dinheiro. Eles aguardavam que o dinheiro fosse liberado ontem, dia que a direção nacional da indústria prometeu ao Ministério da Agricultura liquidar as faturas em todo o País.
Até o meio-dia de ontem, os bancos não haviam recebido o dinheiro, informou Ronei Volpi, presidente da Comissão Técnica do Leite da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). O produtor de leite Gelindo Chaves, de Enéas Marques, estava preocupado. Segundo ele, teve que recorrer a empréstimos para saldar compromissos pessoais e de sua propriedade, porque ''não gosta de faltar às suas dívidas''. Segundo Chaves, a base da economia do município é a produção de leite e praticamente todos os produtores entregam a produção para a Parmalat de Carazinho.
A Parmalat informou, em nota, que pagou R$ 25,4 milhões aos produtores de leite e cooperativas que fornecem para suas unidades em Itaperuna (RJ), Rio Grande do Sul e Pernambuco. Estas são as principais bacias leiteiras em que a empresa capta o produto, segundo a indústria. A companhia havia assumido o compromisso de fazer o pagamento hoje.
Na região de Itaperuna foram R$ 6,7 milhões, R$ 1,7 milhão referente ao saldo pendente das cooperativas do mês de dezembro de 2003 e o restante do pagamento normal de janeiro. O depósito foi no Banco do Brasil e liberado desde cedo pela empresa às cooperativas.
A nota acrescenta que ''as negociações com os bancos continuam progredindo e, à medida que as operações financeiras sejam normalizadas, o pagamento aos produtores de leite que abastecem Goiás, previsto para ontem, será efetuado''.
A assessoria da empresa reconhece, porém, que os produtores que fornecem o leite para Carazinho podem não ter recebido o valor das faturas em função de desentendimentos entre a empresa e o Banco do Brasil. A Parmalat informou que o Banco do Brasil sinalizou que reteve o dinheiro a titulo de pagamento de juros. Situação que não está ocorrendo com cerca de 20 bancos com as quais a empresa está trabalhando. ''As faturas aos produtores foram todas pagas, e o BB reteve o pagamento'', informou a assessoria. (Com Agência Estado)


