Produtores do Paraná devem R$ 595 mi
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de setembro de 2006
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
As dívidas dos produtores rurais paranaenses somente com o setor privado do agronegócio chegam a R$ 595 milhões. O levantamento, feito pela Agroconsult, foi encomendado pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) e buscou informações com os quatro segmentos que financiam as safras: sementes, fertilizantes, defensivos e as tradings/indústrias. Os valores são acumulados das duas últimas safras; somente as dívidas com o setor de fertilizantes são da última plantação. Ao todo, produtores rurais de todo o País devem R$ 6,1 bilhões.
''O volume de dívidas com o setor privado é o maior da história e isso fora as dívidas com os bancos e o governo, que são o 'grosso' do endividamento dos produtores. Mais de 80% dos problemas estão com os bancos'', afirmou André Pessoa, diretor da Agroconsult e responsável pela pesquisa. Segundo ele, o problema é muito mais sério do que a última grande crise enfrentada pelos agricultores, registrada em 1995. Em dinheiro, a maior dívida dos paranaenses é com o setor dos defensivos: R$ 428 milhões. Este valor representa 12% do total devido pelos agricultores brasileiros (veja quadro).
Esse é o segmento que acumula o maior saldo devedor. No total, o setor tem R$ 3,604 bilhões a receber, que representam 60% do total das dívidas. Em seguida, as tradings/indústrias concentram 18%; os fertilizantes, 16% e as sementes, 6%. ''O setor dos defensivos financia cerca de 70% das vendas com o prazo safra (considerada de longo prazo), enquanto no segmento dos fertilizantes o índice é de 30%. As consequências é que essas dívidas afetam o fluxo de caixa, a rentabilidade e a capacidade de pagamento das empresas'', disse Pessoa. O levantamento identificou ainda a opção dos produtores para quitar as dívidas.
Em primeiro estão as tradings, seguidas pelos bancos, sementes/fertilizantes, defensivos, investimentos e dívidas antigas. Basicamente, as dívidas estão concentradas no Centro-Oeste, que estão com um terço do volume devido. Os produtores do Mato Grosso devem R$ 2,1 bilhões. ''Houve uma regionalização do problema - que está no Centro-Oeste - e uma concentração na soja, que atinge 70% das dívidas'', explicou o consultor. Os algodoeiros estão com 12% do volume devido; os produtores de milho, 9%; os triticultores, 3%; já os cafeicultores e os produtores de laranja, arroz e cana-de-açúcar estão com 1% cada, enquanto as outras culturas dividem 2%.
No geral, as duas safras anteriores deixam um saldo negativo de R$ 192 por hectare para os sojicultores. Já os algodoeiros acumulam dívidas de R$ 888/ha e os triticultores, R$ 101/ha. A cultura que menos deu prejuízo em dinheiro foi a cana-de-açúcar: R$ 11/ha. O Estado campeão de prejuízo por hectare é Goiás com um saldo negativo de R$ 269, seguido pelo Mato Grosso (R$ 268) e Bahia (R$ 262). No Paraná, esse volume é de R$ 94 por hectare, montante maior apenas que o registrado em São Paulo, onde os prejuízos ficaram em R$ 73/ha.
Custeio - Somando as três últimas safras (2003/04, 2004/05 e 2005/06) há a estimativa de que as dívidas de custeio que foram roladas com os bancos são de cerca de R$ 6,74 bilhões somente de produtores do Paraná (R$ 932 milhões), Rio Grande do Sul (R$ 1.432 bilhão) e Mato Grosso (R$ 799 milhões). Esses contratos, atualmente, estão em análise pelos bancos porque foram contemplados pelos pacotes de socorro à agricultura editados pelo governo federal. As instituições devem deferir ou não a prorrogação destas dívidas até o próximo dia 30. Do total dos contratos firmados, até agora apenas 4% foram quitados.


