Araçatuba - Produtores de grãos do interior de São Paulo distribuíram duas toneladas de soja para a população e clientes da agência do Banco do Brasil, que passaram ontem pelo centro de Araçatuba, a 532 km a noroeste de São Paulo. O ato fez parte da mobilização nacional dos agricultores contra a política agrícola do governo. ''Estamos mostrando que os agricultores estão mobilizados para acompanhar a regulamentação - e se necessário pedir a revisão - do pacote agrícola baixado pelo Governo Federal'', comentou o agricultor Roberto Frare, presidente da Associação dos Produtores Rurais de Coroados, líder do protesto, que reuniu centenas de produtores em frente à agência do BB no centro de Araçatuba.
A soja, distribuída em saquinhos de 1 kg, um para cada pessoa que passava na frente do banco ou pela praça Rui Barbosa, a Praça do Boi, foi escolhida porque é, depois da cana de açúcar, a cultura mais plantada na região. Porém, os agricultores reclamam dos altos custos de produção, mais elevados que os preços do produto. Para se produzir duas toneladas distribuídas hoje, o produtor gasta R$ 920, mas não consegue vendê-las por mais de R$ 750. Ao mesmo tempo, cada saquinho que custa R$ 0,46 ao produtor é vendido nos supermercados a preços acima de R$ 4.
A população aproveitou. ''Há 30 anos que uso a soja na minha alimentação. Seria ótimo se eles distribuíssem novamente de graça'', disse a vendedora Nilves Ogeda de Siqueira. ''Para a gente é bom, porque sai mais em conta que comprar em supermercado, mas para eles (produtores) isso não é nada saudável'', comentou a contabilista Luciana Fernandes Fotonelli, que mesmo sentindo pena dos agricultores conseguiu 2 saquinhos de soja para levar para casa.
O produtor José Eduardo Vieira de Souza, de Birigi, concorda e disse esperar a aprovação do pacote na esperança de amenizar o prejuízo de R$ 70 mil que teve com o plantio de 240 hectares de soja. ''Em 22 anos que planto soja, nunca vi isso acontecer'', afirmou.
Prazo - Os produtores rurais esperavam para hoje uma resposta do governo para a pauta emergencial apresentada há duas semanas. A espera desse 'novo pacote' eles fizeram uma trégua na manifestação que ocupou rodovias e leitos ferroviários nos principais estados produtores brasileiros no mês de maio.
Apesar de ter prometido uma resposta para esta semana, a resposta do governo só deve sair na semana que vem. O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento está na Rússia, onde negocia o fim das restrições à carne brasiliera por causa da aftosa no Mato Grosso do Sul e Paraná.

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