Em dia de campo que reuniu agricultores da região oeste, a Agroceres lançou, semana passada, o híbrido AG 6016. O evento foi na propriedade dos irmãos Valdir e Dionízio Miola, na ‘Sede Alvorada’, município de Cascavel. Os Miola utilizam boa tecnologia - como rotação de cultura e boas sementes - e têm preocupação com a fertilidade do solo. Na ocasião, o engenheiro agrônomo Gelceu Reck aproveitou a colheita do milho safrinha para apresentar a novidade e transmitir informações sobre novas tecnologias para a cultura. Segundo ele, o AG 6016 traz algumas inovações como: superprecocidade, grãos duros, porte baixo, bom potencial produtivo e ótima sanidade, características que se destacam em relação aos demais híbridos. Conforme Reck, a superprecocidade e a consistência do grão foram desenvolvidas no híbrido antevendo-se principalmente os rigores das baixas temperaturas no período de inverno.
Produtores de milho na fazenda dos Miola: tecnologia e um novo híbrido‘‘Antes que a geada ocorra, a espiga já estará formada e o grão duro evita que a qualidade do milho seja afetada’’, explicou o técnico. Com relação ao porte baixo, disse que ele oferece maior população de plantas na mesma área. Acrescentou que o produtor também sai ganhando com o peso do grão: ‘‘Quando se pensa em milho safrinha, a semente tem que oferecer o máximo em segurança e foi esta a preocupação da empresa ao lançar este híbrido’’, afirmou Reck.
Os produtores Valdir e Dionízio cultivaram 110 hectares de milho safrinha, sendo 80 ha do híbrido AG 3010 e no restante da área optaram por experimentar o AG 6016. Os Miola cultivam safrinha há seis anos, mas foi na safra passada que buscaram eficiência com esses híbridos. ‘‘É um híbrido bom de cana e de colmo e não apresenta problema de acamamento’’, disse Valdir Miola, lembrando que o clima foi o maior problema enfrentado pela lavoura nessa safra.
Rotação Apesar de plantar milho safrinha em boa parte da área, os Miola não deixam de fazer rotação de cultura e, por isso, colhem bem, segundo os técnicos. Neste ano, por exemplo, após a colheita do milho, será plantada aveia e, em novembro, entra o plantio de soja. ‘‘Na última safra de verão colhemos a média de 65 sacas/ha de soja nas áreas onde havíamos feito safrinha de milho’’. Ainda assim, eles cultivaram 170 ha de trigo. Mas justificam a preferência pelo milho: a rentabilidade é maior. Para colher 150 sacas/ha, em média, na lavoura de milho, eles tiveram um custo aproximado de 70 sacas, enquanto para colher 100 a 120 sacas na mesma área de trigo o custo é de 70 a 75 sacas.
Safra nacional As empresas produtoras de sementes do País acreditam que a próxima safra de milho de verão deve recuperar parte da área perdida na temporada 97/98. Na primeira safra, a área de milho no Brasil foi de 9,956 milhões de hectares, 14,2% abaixo dos 11,6 milhões de hectares de 96/97, segundo os últimos dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
De acordo com o secretário-executivo da Associação Paulista dos Produtores de Sementes, Cássio Camargo, as empresas do setor esperam uma retomada da área perdida para a soja em 97/98, mas ainda não chegaram a um consenso sobre quanto seria esse crescimento.
Na avaliação das empresas, os fatores que devem favorecer o plantio de milho em 98/99 são o maior equilíbrio na oferta e demanda de sementes, a relação de troca favorável ao milho (a relação considerada normal é de 1,8, isto é, com 1,8 saca de milho compra-se uma de soja), os preços mais favoráveis do milho, a expectativa de ampliação do plantio direto no Brasil Central na safra de verão, o maior custo de produção nessa região devido ao maior uso de tecnologia e o desempenho abaixo do esperado da produtividade das lavouras de soja precoce.
Para Camargo, o próximo ano será de recuperação para o milho, e um dos fatores que deve impulsionar essa retomada é a oferta mais ajustada do produto neste ano. Com isso, avalia, os preços devem permanecer firmes no mercado interno, apesar da possibilidade de importação do produto argentino.
Mas a APPS enumera também fatores que poderiam estimular o plantio de soja: os produtores, tradicionalmente, optam pelo plantio de soja na safra de verão para depois semear milho safrinha.
O agrônomo Flávio Turra, do departamento econômico da Ocepar, diz que os indicadores realmente apontam para a retomada do plantio no estado, mas isso dependerá de vários fatores, como a conjuntura do mercado de soja, a situação da oferta e demanda do milho, entre outros. Segundo ele, a Ocepar deve fazer uma avaliação mais acurada sobre a perspectiva para a próxima safra mais perto do plantio. (Alda do Amaral Rocha Agência Estado).

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