Produtores devem aguardar Plano Safra 2017/18 para voltar a investir
Carro de boi do Produto Interno Bruto (PIB) do País nos últimos anos, o agronegócio também sentiu o impacto na movimentação econômica. E a captação de recursos por meio do BNDES caiu drasticamente, principalmente no segundo semestre de 2015. Operações através do Finame (máquinas e equipamentos agrícolas), por exemplo, atingiram a marca de R$ 32,7 bilhões, uma incrível retração de 49% em 12 meses.
O coordenador do Departamento Técnico e Econômico (DTE) da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Pedro Loyola, comenta que o divisor de águas aconteceu no meio do ano passado, quando a taxa de juros se elevou e as transações através de diferentes linhas de crédito da instituição ficaram muito caras para os agricultores. "O produtor logo notou esse aumento e, a não ser que tivesse um planejamento antigo de compra, segurou o investimento num novo trator, colheitadeira ou outro equipamento. A partir do momento que se faz a transação, é difícil rever estas taxas pré-fixadas caso o juro abaixe", explica.
Outro ponto que justifica os números retraídos é que muitos produtores já haviam aproveitado o bom momento nos anos de 2013 e 2014 para angariar recursos, com juros negativos abaixo da inflação - em algumas modalidades de financiamento. "A demanda reprimida foi suprida naqueles dois anos, consequentemente as transações diminuíram posteriormente. Além disso, com exceção da liberação de recursos para custeio, os bancos estão mais lentos na análise e seletivos na liberação em diversas linhas de investimento. Ciente disso, eu acredito que os produtores vão esperar o lançamento do Plano Safra 2017/18, no ano que vem, para voltar a investir". (V.L.)





