A mudança do zoneamento agroclimático do Noroeste foi defendida em documento, por mais de 120 produtores, lideranças rurais, representantes da assistência técnica oficial e privada em simpósio que aconteceu sexta-feira, na Sociedade Rural de Maringá.
Ao final do encontro, houve consenso entre os participantes de que o atual zoneamento agroclimático definido pelo Ministério da Agricultura - e que serve de base para concessão de financiamentos de custeio, Proagro e seguro - está distante da realidade climática atual e das variedades de soja e milho plantadas e mais produtivas.
Na prática, existe uma contradição entre os critérios do zoneamento agroclimático oficial e a realidade em termos de cultivares. Com isto, quando o produtor - por experiência e recomendação técnica - opta por cultivares cujas datas de plantio não coincidem com a recomendação oficial, eles ficam alijados do crédito de custeio. Correm, ainda, riscos financeiros enormes se houver frustração de safra provocada por problema climático ou por doenças nas lavouras. O problema maior está na cultura de soja, o carro-chefe da economia regional e do agronegócio paranaense.
Problemas-Além do insuficiente número de estações climatológicas, o Noroeste enfrenta outro problema: é uma região atípica. Por estar localizada em faixa climática de transição, apresenta comportamento inconstante entre frio e calor e entre chuva e sol. As variações do clima são tão acentuadas que, nos últimos três anos, a região acumulou grandes prejuízos na produção provocados por intempéries.
Os participantes querem uma revisão no atual zoneamento agroclimático do Ministério da Agricultura para permitir, por exemplo, a antecipação de plantio de culturas anuais e com variedades precoces. Assim, seriam evitadas a floração e a formação de grãos entre janeiro e fevereiro, meses de acentuada instabilidade climática, conforme demonstram os últimos sete anos.
Na prática, a antecipação no calendário agrícola vem garantindo maior produtividade à soja em comparação à época preconizada pelo zoneamento agrícola oficial. Só que antecipando-se o plantio com cultivares não indicadas oficialmente, todos os riscos correm por conta do produtor, segundo afirma José Antônio Borghi, presidente do Sindicato Rural de Maringá.
Em resumo, a readequação do modelo atual para uma realidade de campo - e comprovada por experimentos locais - é a melhor alternativa para garantia de direitos e tranquilidade dos produtores. Esta posição, em documento aprovado no simpósio, é defendida pelas seguintes instituições: Sindicato Rural de Maringá, Cocamar, Unicampo, Emater, Banco do Brasil e Sociedade Rural de Maringá.

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