Os principais produtores mundiais de café decidiram ontem manter seu programa de retenção de 20% das exportações. O plano, iniciado em outubro passado e sem prazo definido para acabar, tem como objetivo evitar que os preços continuem a cair no mercado internacional.
Os países que aderiram ao programa terão seus estoques vistoriados a partir do próximo mês por uma empresa de auditoria independente. A decisão foi aprovada durante o encontro da Associação de Países Produtores de Café (APPC), em Londres.
O Brasil reclama que México e Guatemala se comprometeram apenas formalmente com o acordo. Na prática, estariam mantendo o produto no mercado para aproveitarem-se das brechas criadas pelo programa de retenção.
‘‘Se todos os países não aderirem então o programa não faz sentido’’, afirmou o ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, que participou da reunião de ontem. ‘‘Mas não podemos julgar um programa que começou efetivamente em outubro apenas pelo seu primeiro trimestre’’, acrescentou.
Pratini de Moraes disse que somente os especuladores argumentam contra o programa de retenção. ‘‘Nós não estamos do lado dos especuladores, e sim dos produtores.’’ O ministro ressaltou que, apesar da queda da cotação do café, os preços não mudaram para os consumidores. ‘‘Com isso estão sendo beneficiados apenas meia dúzia de torradores e empresas de café solúvel’’, afirmou.
O embaixador brasileiro em Londres, Sérgio Amaral, presidente da APPC, disse ontem que os países cumpriram 90% da meta estabelecida -desde outubro, foram retiradas do mercado 3,6 milhões de sacas de um total de 4 milhões de sacas previstas.
O Brasil, maior produtor mundial, reteve sozinho 2 milhões de sacas. O Vietnã retirou 1 milhão de sacas do mercado. ‘‘Brasil e Vietnã participaram mais, porque houve países que não aderiram como deviam. Queremos que todos participem, e com transparência’’, afirmou Amaral.
A Colômbia, segundo maior produtor mundial, confirmou hoje que continua a apoiar o programa. Desde a semana passada, o mercado especulava que o país não estava mais comprometido com o plano de retenção.
Com a retenção, os estoques mundiais recuaram de 18 milhões de sacas em setembro para 15,8 milhões de sacas em dezembro.
Mesmo assim, os preços do café robusta despencaram em dezembro para o nível mais baixo em 30 anos, e os do café arábica, para o mais baixo em sete anos.

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