Produtores decidem hoje se interrompem protesto
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quinta-feira, 11 de maio de 2006
Erika Zanon e Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A América Latina Logística (ALL) obteve na manhã de ontem um mandado de reintegração de posse do entreposto da linha férrea de Cambé (13 km a oeste de Londrina), ocupado por produtores rurais da região norte do Estado desde a manhã da última terça-feira. No entanto, os produtores passaram a noite no local e devem decidir, hoje de manhã, se interrompem ou não a manifestação.
A Polícia Militar (PM) foi chamada à tarde para dar apoio ao oficial de justiça encarregado de informar os manifestantes sobre a ordem judicial, assinada pela juíza Márcia Guimarães Marques da Costa, da Vara Cível daquele município. Pela manhã o oficial já havia tentado cumprir o mandado, mas nenhum dos manifestantes se apresentou como responsável. O que a maioria decidir está decidido, mas nossa intenção é respeitar a ordem da juíza, disse o agricultor Irineu Sella, no final da tarde de ontem.
Segundo o capitão da PM Marcos Vinícius Koch, que conversou com os produtores, a intenção é chegar a um consenso com os manifestantes, como foi feito nos últimos dias em Maringá e Rolândia. Queremos evitar a intervenção da tropa de choque, disse.
Os produtores garantem que os protestos não vão parar. Se saírmos daqui, vamos para outra região. Se preciso, vamos bloquear o Porto de Paranaguá, avisou. Por conta da manifestação, um trem que trafegava no sentido interior/litoral - foi bloqueado e diversos cruzamentos do município ficaram obstruídos. Os protestos também aconteceram ontem em Paranavaí, Andirá e Marialva.
Segundo os manifestantes, impedir o transporte de cargas até o litoral é uma tentativa de chamar a atenção do governo para os problemas que a agricultura vem enfrentado há mais de três anos. Não somos desordeiros, queremos ser ouvidos. Não temos nenhum problema com a ALL, mas essa é uma forma de mobilizar o governo, disse a produtora rural Gilvane Amano. Protestamos contra essa falta de política agrícola. Hoje o problema está na agricultura, no próximo ano vai estar em todo o comércio, que não vai ter para quem vender, completou.
Entre as reivindicações dos produtores rurais estão garantia de preço mínimo, uma política cambial que não quebre a agricultura e renegociação das dívidas. Atualmente, segundo ele, o prejuízo para produzir chega a 30%. Investimos R$ 1 mil na terra e retiramos R$ 700, disseram. Queremos preço mínimo para manter o produto na cidade e condições de comercialização, afirmou o produtor Odair Favale. Para ele, segurando o transporte de grãos até o porto é uma possibilidade de sensibilizar os governantes.
Apesar do bloqueio de alguns cruzamentos da linha férrea, impedindo a passagem de veículos e pedrestes, os moradores e comerciantes do município apoiam a manifestação. Eles têm o direito de reivindicar seus direitos. A gente que trabalha no comércio tem sentido essa crise diretamente, desde janeiro as vendas caíram muito, frisou o comerciante Elias Dias de Azevedo. Eu acho que eles estão certos em protestar e bloquear a passagem do trem, mas esses cruzamentos têm que ser liberados. Eu já vi crianças e idosos terem que pular o trem para passar, destacou o comerciante Moisés Della Coleta.
A Folha entrou em contato com a ALL, mas nenhum representante da empresa retornou a ligação.


