Produtores de trigo ameaçam não pagar dívida
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quarta-feira, 13 de outubro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Os produtores de trigo do Paraná ameaçam não pagar a dívida de custeio para implantação da cultura que totalizou R$ 282 milhões este ano em operações junto ao Banco do Brasil. As dívidas estão perto do vencimento e os produtores não conseguem vender a safra. Pelo menos 1,35 milhão de toneladas de trigo ainda está nas mãos dos produtores, além de um volume que permanece a espera de colheita.
O mercado está sem compradores e quando aparece uma oferta de compra, o preço está muito aquém do custo de produção. Se o governo não apoiar a comercialização, os produtores vão reduzir o plantio de trigo em 2005, avisou Ágide Meneguette, presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep).
No final da semana passada, o governo federal deu um sinal que vai apoiar os produtores de trigo. O ministério da Agricultura concordou em elevar o prêmio pago nos leilões do Prêmio de Escoamento da Produção (PEP) para R$ 123 a tonelada. Com isso, produtores e cooperativas acreditam que haverá moinhos interessados na transferência de trigo da região Sul do País para as regiões Norte e Nordeste, quadro que deverá enxugar a oferta do produto na região produtora.
Com a elevação do prêmio o leilão do PEP deverá ocorrer amanhã. O governo quer leiloar prêmios para transferência de 70 mil toneladas de trigo, dos quais 30 mil do Paraná. O volume restante será comprado nos Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.
Além do PEP, o governo comunicou à Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) que vai comprar 25 mil toneladas de trigo no Estado. No comunicado, o ministério informou que vai disponibilizar R$ 10 milhões para compra do produto e pediu a ajuda da entidade para auxiliar na organização das cooperativas participantes.
Independente desse auxílio, produtores e cooperativas estão esperando ansiosamente por parte do governo a oferta de recursos para os contratos de opção, disse o analista econômico da Ocepar, Robson Mafioletti. O técnico salientou que essa medida é fundamental para sinalização de preços futuros para dar mais tranquilidade ao produtor que está apreensivo diante do mercado desaquecido.
O governo já promoveu dois leilões do PEP sem sucesso porque o prêmio pago, de R$ 73 a tonelada, foi considerado insuficiente pelos moinhos. Mesmo comprando o trigo na Argentina, eles conseguem colocar o produto na região Nordeste por R$ 405 a tonelada, valor inferior aos R$ 539,05 a tonelada, correspondente à compra do produto pelo preço mínimo mais as despesas portuárias e de frete. Com o prêmio anterior, teriam que desembolsar R$ 466 a tonelada, 15% mais caro, para entregar o produto no porto de alguma capital nordestina.
Com o prêmio de R$ 123, ainda assim a compra do produto no mercado interno ficaria R$ 11 por tonelada mais caro que o produto importado, mas sempre tem a oportunidade do moinho encontrar um frete mais barato que viabilize a transferência, disse Mafioletti.


